Casares anuncia renúncia ao cargo de presidente do São Paulo

Processo de impeachment foi aprovado pelo Conselho na sexta

21 jan 2026 - 17h38
(atualizado às 19h23)
Resumo
Julio Casares renunciou à presidência do São Paulo após processo de impeachment, em meio a acusações de irregularidades financeiras e polêmicas envolvendo sua gestão e familiares.
Júlio Casares deixa a presidência do São Paulo em meio a processo de impeachment.
Júlio Casares deixa a presidência do São Paulo em meio a processo de impeachment.
Foto: Júlia Pereira/Estadão / Estadão

Julio Casares publicou na tarde desta quarta-feira, 21, sua carta de renúncia ao cargo de presidente do São Paulo. Ele estava afastado desde sexta, 16, quando seu processo de impeachment foi aprovado pelo Conselho. 

Até então, ainda faltava uma assembleia dos sócios para retificar o impeachment. Com a renuncia, o encontro não acontecerá mais. Em seu pronunciamento, o agora ex-dirigente explicou que não tomou a decisão antes porque deveria “exercer, até o fim, o direito à ampla defesa e ao contraditório”. 

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“Na prática, a manifestação realizada na tribuna foi o único espaço afetivo que me foi concedido para apresentar minha defesa, em um rito sumário que, ao meu juízo, restringiu a necessária produção de provas e o pleno esclarecimento dos fatos”, escreveu.

Ainda em sua renúncia, Casares afirmou que não houve “apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas” nas denúncias contra sua gestão. 

“Minha renúncia não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas. Diante da continuidade desse ambiente, da necessidade de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, bem como para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o ambiente esportivo do clube, apresento minha renúncia ao cargo de Presidente”, continuou.

Os bastidores conturbados no Morumbis

Desde o fim de 2025, a gestão liderada por Júlio Casares começou a estampar as capas policiais. A principal acusação que envolve o nome do presidente aponta depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.  Por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial”.

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A Polícia Civil também identificou "manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores" em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil.

Sem ter o nome de Casares citado no caso, as autoridades analisam 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.

O primeiro caso a vir à tona envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente são-paulino. Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram o dirigente Douglas Schwartzmann dizendo que Mara recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou os ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2024. O ato é considerado ilegal.

Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, “traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção” e “em nenhum momento houve benefício pessoal”. Ela se afastou da diretoria feminina, cultural e de eventos do clube.

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Também em dezembro, o UOL revelou que o médico Eduardo Rauen indicou um fornecedor irregular do medicamento Mounjaro a jogadores do São Paulo. As canetas emagrecedoras também eram comercializadas por R$ 5.599,00, valor acima do de mercado, que varia de R$ 1.523,06 a R$ 4.067,81.

Na época, o clube disse que “foram realizados tratamentos médicos individualizados, indicados de forma pontual após avaliações clínicas criteriosas em apenas dois atletas do time profissional, e não de maneira generalizada, contínua e indiscriminada”.

Fonte: Portal Terra
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