O Ministério Público de SP notificou o Santos, a Prefeitura de São Vicente e a empresa Saint-Gobain após denúncias de danos ambientais e falta de transparência na compra de um terreno de 700 mil m² para o futuro CT da base. O local possui Áreas de Preservação Permanente e passará por estudos ambientais até 2027 antes de obter licença da Cetesb. Os envolvidos têm dez dias para prestar esclarecimentos, enquanto o prefeito local confia na liberação do projeto com as devidas compensações.
O Ministério Público de São Paulo enviou uma notificação ao Santos referente a uma denúncia de danos ambientais, aliada a uma investigação de falta de transparência pública acerca do terreno adquirido pelo clube para a construção de um futuro Centro de Treinamento para as categorias de base. O ofício engloba ainda a empresa Saint-Gobain, patrocinadora da equipe e antiga proprietária da área, e a Prefeitura de São Vicente.
Na última sexta-feira, o clube informou a aquisição do espaço de 700 mil metros quadrados, no valor de R$ 6.932.560,21, a serem pagos totalmente com ativos comerciais e de publicidade. Com o ofício do MP, o Santos e os outros notificados tem dez dias para prestar esclarecimentos.
O espaço fica na Área Continental de São Vicente, com partes que integram uma Área de Proteção Permanente (APP), onde não poderiam ser realizadas qualquer intervenção, uma vez que é protegida por lei.
O terreno, situado às margens da Avenida Vereadora Angelina Pretti da Silva, passará por um estudo de impacto ambiental, com resultado previsto para abril de 2027. Após isso, o clube ainda terá que solicitar o licenciamento ambiental na CETESB, e só depois saberá qual a porcentagem da área liberada para a construção do CT.
O prefeito da cidade, Kayo Amado, acredita que o terreno será liberado para utilização do Santos.
"Eu não acredito (na reprovação do licenciamento) porque é uma área particular. A área ali, ela tem um pedaço de área de preservação permanente que não está nos planos do clube utilizar. Tem um outro pedaço de preservação que precisa ser respeitado e tem outros tipos de vegetação, mangue, por exemplo, e tem outros tipos, onde a lei ambiental diz que você pode utilizar a área mediante alguns contextos e algumas compensações", afirma Amado ao Estadão.
A Saint-Gobain, patrocinadora do clube desde 2022, antiga dona do terreno possuía uma dívida com a Prefeitura de São Vicente, referente a impostos. Kayo Amado, confirmou ao Estadão que a questão foi resolvida antes mesmo das tratativas com o Santos começarem.