Jorge Martín falou pela primeira vez sobre o acidente que marcou a largada do GP da Hungria e provocou o abandono de cinco pilotos. Durante o media day do GP da Tchéquia, o espanhol assumiu a responsabilidade pelo incidente, pediu desculpas aos envolvidos, mas também argumentou que fatores externos tiveram influência direta no ocorrido.
A queda aconteceu na primeira curva da corrida e envolveu Marco Bezzecchi, Raúl Fernández, Fermín Aldeguer e Fabio Di Giannantonio. O episódio resultou em uma punição de dupla volta longa para Martín, que deverá ser cumprida neste fim de semana em Brno.
O piloto da Aprilia admitiu que o acidente teve um forte impacto emocional nos dias seguintes à prova.
"A primeira coisa que quero dizer é pedir desculpas a todos os pilotos e fabricantes envolvidos. Como piloto, nunca quero cair e muito menos atingir outros pilotos."
Martín também revelou que teve dificuldades para lidar com o ocorrido após a corrida.
"Depois daquele domingo eu estava realmente abalado. Mentalmente foi difícil aceitar o que aconteceu, mas agora, com a cabeça mais fria, entendo que isso faz parte das corridas. O importante é aprender com os erros e tentar ser uma pessoa e um piloto melhores."
Apesar do pedido de desculpas, o espanhol não acredita que o acidente tenha sido causado apenas por um erro seu. Segundo ele, a condição do asfalto na entrada da primeira curva teve papel importante na perda de controle da moto.
Jorge explicou que perdeu a dianteira logo na primeira frenagem e não conseguiu mais recuperar o controle da motocicleta. O atual campeão mundial classificou a situação como uma das quedas mais assustadoras de sua carreira recente e destacou que o mais importante foi o fato de nenhum dos pilotos ter sofrido lesões graves.
O espanhol também criticou as condições da pista na Hungria, apontando o trecho recém-recapeado da Curva 1 como um dos fatores que contribuíram para o acidente.
"O asfalto da Curva 1 era um desastre. Eu fui o primeiro que não queria que aquilo acontecesse, mas isso é corrida e precisamos aprender com os erros."
As consequências do acidente também geraram desconforto dentro da própria Aprilia. Após a prova, o chefe da equipe, Massimo Rivola, defendeu uma punição mais severa ao piloto. Martín, porém, evitou alimentar qualquer tipo de conflito interno.
Segundo o espanhol, conversas realizadas com Marco Bezzecchi e com a direção da equipe ajudaram a diminuir a tensão criada após o incidente. Para ele, a Aprilia precisa permanecer unida em um momento importante da temporada.
"Acho que é hora de estarmos mais unidos do que nunca. Se estivermos uns contra os outros, é como dar um tiro no próprio pé. Não faz sentido."
Além de cumprir a punição em Brno, Martín também chega à etapa ainda sentindo dores nas costas em consequência do acidente da Hungria. Mesmo assim, o vice-líder do campeonato acredita que a prioridade agora é virar a página, recuperar pontos na classificação e evitar que um episódio isolado prejudique a luta da Aprilia pelo título de 2026.