A Uefa comemorou publicamente neste sábado (1º) a decisão da Fifa de abandonar o projeto que previa vender uma participação minoritária dos direitos comerciais de suas principais competições, como a Copa do Mundo masculina, a Copa do Mundo Feminina e o Mundial de Clubes. A entidade europeia aproveitou o recuo para fazer duras críticas ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmando que "o futebol não está à venda" e acusando a atual gestão de perder a confiança do cenário internacional.
Na sexta-feira (31), o próprio Infantino confirmou o cancelamento da proposta e admitiu que o plano "causou divisões". O projeto previa a criação de uma nova empresa para administrar os ativos comerciais da Fifa, incluindo direitos de transmissão, patrocínios e venda de ingressos. A companhia seria avaliada em cerca de US$ 20 bilhões (R$ 101,6 bilhões), com a venda de aproximadamente 20% para investidores privados, o que poderia render cerca de US$ 4,2 bilhões (R$ 21,3 bilhões) à entidade.
A proposta, no entanto, encontrou forte resistência da Uefa, de federações nacionais, ligas, clubes, sindicatos de atletas e até de líderes políticos europeus. Segundo a entidade, a possibilidade de um boicote às competições organizadas pela Fifa foi determinante para que o plano acabasse sendo retirado de pauta.
Em nota oficial, a Uefa direcionou críticas contundentes à administração de Gianni Infantino, afirmando que o dirigente descumpriu promessas feitas durante sua campanha presidencial em 2016 relacionadas à transparência na gestão da entidade. O comunicado classificou a iniciativa como um acordo "mesquinho, feito de portas fechadas e opaco", além de afirmar que a atual liderança da Fifa perdeu a confiança do futebol mundial.
Outro ponto levantado pela entidade europeia foi a situação financeira da própria Fifa. Segundo a Uefa, a organização possui mais de US$ 5 bilhões em reservas financeiras que poderiam ser utilizados para fortalecer programas como o FIFA Forward, destinado ao desenvolvimento do futebol nos 211 países filiados, sem a necessidade de comercializar parte dos direitos das principais competições.
A entidade também informou que pretende iniciar, nos próximos dias, uma revisão estrutural ao lado de outras confederações para impedir que projetos semelhantes sejam apresentados novamente sem o aval das associações filiadas.