Thiago Silva critica reformulação da Seleção Brasileira: 'Aqui não funciona assim'

Thiago Silva defendeu que jogadores experientes continuem sendo considerados por Carlo Ancelotti e criticou mudanças radicais no início do ciclo para 2030.

10 set 2026 - 06h13
Resumo
O zagueiro Thiago Silva criticou a decisão de Carlo Ancelotti de promover uma reformulação radical na Seleção Brasileira para a Copa de 2030, que deve afastar veteranos como Neymar e Casemiro. Citando sua própria longevidade no futebol, o defensor afirmou que atletas experientes em boa fase não devem ser descartados apenas pela idade e alertou que as particularidades da Seleção exigem uma transição gradual, processo bem diferente da dinâmica dos clubes europeus aos quais o técnico está habituado.
Thiago Silva pelo Fluminense (Photo by Wagner Meier/Getty Images)
Thiago Silva pelo Fluminense (Photo by Wagner Meier/Getty Images)
Foto: Esporte News Mundo

O zagueiro Thiago Silva, do Fluminense, não escondeu sua discordância com a decisão de Carlo Ancelotti de promover uma reformulação profunda na Seleção Brasileira visando o ciclo para a Copa do Mundo de 2030. Após a vitória do Tricolor sobre o Platense, pela Libertadores, o defensor defendeu que jogadores experientes não sejam descartados apenas pela idade.

Em entrevista à Rádio Tupi, Thiago Silva destacou que atletas acima dos 30 anos ainda podem ter condições de defender o Brasil caso estejam vivendo um bom momento. O zagueiro utilizou a própria carreira como exemplo e lembrou que chegou a disputar uma Copa do Mundo aos 38 anos e esteve próximo de participar de outra aos 41.

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"Você não pode descartar quem tem 31, 32, 33. Eu quase fui para a Copa com 41. Não pode descartar quem está vivendo um bom momento", afirmou Thiago Silva.

A declaração acontece em meio às mudanças planejadas por Ancelotti depois da participação brasileira na Copa do Mundo de 2026. O treinador italiano afirmou publicamente que a derrota para a Noruega, por 2 a 1, nas oitavas de final, marcou o encerramento do ciclo de parte da geração que vinha sendo utilizada pela Seleção.

Com isso, jogadores como Neymar, Danilo, Alex Sandro e Casemiro, todos acima dos 30 anos, perderam espaço nas projeções para o próximo ciclo. A intenção da comissão técnica é ampliar a renovação do elenco e dar oportunidades a atletas mais jovens.

Thiago Silva, entretanto, entende que uma mudança tão grande pode ser prejudicial. Para o zagueiro, a Seleção Brasileira exige um processo diferente daquele encontrado nos clubes europeus e não deveria passar por uma reformulação completa de maneira imediata.

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"Em Seleção Brasileira as coisas têm que ser devagar. Não pode tirar todo mundo e pôr novo. Tem que ser passo a passo. É muito difícil ser jogador de Seleção Brasileira, é muito diferente de clube", explicou.

O defensor também fez uma ressalva sobre a experiência de Ancelotti no futebol europeu. Embora tenha reconhecido que o italiano é quem está à frente da equipe nacional, Thiago Silva afirmou que algumas decisões precisam levar em consideração as particularidades do futebol brasileiro e da própria Seleção.

"Ele vem do futebol europeu, que é mais fácil fazer. Aqui não funciona assim. Você precisa mudar e dar resultado. E, se possível, jogar bem. Eu não gosto desse tipo de mudança. Não concordo, porém ele que está no comando", completou.

Thiago Silva e Ancelotti já trabalharam juntos

A opinião de Thiago Silva ganha um contexto ainda mais interessante porque o zagueiro já trabalhou diretamente com Carlo Ancelotti. Os dois estiveram juntos no Milan, quando o brasileiro deixou o Fluminense para iniciar sua trajetória no futebol europeu, em 2008.

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A parceria, porém, durou apenas uma temporada. Ancelotti deixou o clube italiano para assumir o Chelsea, enquanto Thiago Silva permaneceu construindo sua carreira na Europa antes de retornar ao futebol brasileiro anos depois.

Pela Seleção Brasileira, Thiago Silva acumulou uma das trajetórias mais longevas da história recente. O zagueiro disputou quatro edições da Copa do Mundo e soma 113 partidas e sete gols pela equipe principal.

Apesar de não ter conquistado o Mundial, o defensor levantou troféus importantes com a camisa brasileira, como a Copa das Confederações de 2013 e a Copa América de 2019. Aos 41 anos, ele segue atuando pelo Fluminense e mantém o discurso de que idade, por si só, não deveria determinar o fim de um jogador na Seleção.

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