Neymar ainda seria útil à Seleção? Números do Santos levantam discussão para Ancelotti

Neymar soma quatro gols e quatro assistências após a Copa de 2026. Veja se os números ainda justificam um retorno à Seleção de Carlo Ancelotti

29 out 2026 - 13h40
(atualizado às 13h40)
Resumo
Apesar de ter indicado o fim do seu ciclo na Seleção Brasileira após a Copa de 2026, a evolução recente de Neymar pelo Santos reabriu debates sobre sua utilidade técnica para a equipe de Carlo Ancelotti. Aos 34 anos e com restrições físicas para a intensidade internacional, ele poderia atuar pontualmente como articulador decisivo. Contudo, a intenção de renovação do treinador e a postura do próprio craque tornam uma despedida solene mais provável do que um retorno efetivo aos gramados pelo Brasil.

Neymar parece ter encerrado sua história com a Seleção Brasileira. Depois da eliminação para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, o camisa 10 deu a entender que havia chegado ao fim de seu ciclo.

Foto: Raul Baretta/ Santos
Foto: Raul Baretta/ Santos
Foto: Raul Baretta/ Santos / RTI Esporte

Poucas semanas depois, reforçou a posição: "Meu momento na Seleção já foi", declarou em julho. Ainda assim, o rendimento apresentado pelo atacante após o Mundial abre espaço para uma discussão que parecia encerrada.

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Em 12 partidas disputadas desde a Copa, Neymar soma quatro gols e quatro assistências. O desempenho ganha importância quando comparado à temporada anterior. Em 2025, o craque registrou 11 gols e quatro assistências pelo Santos.

Em 2026, já chegou a 18 participações diretas em gols, considerando os números utilizados para esta análise. A produção, portanto, melhorou. Isso não significa que a Seleção deva mudar seus planos, mas mostra que a discussão sobre sua utilidade não precisa se resumir à idade ou ao histórico de lesões.

O que as métricas dizem sobre o camisa 10?

Os números físicos e técnicos oferecem uma visão mais completa. Neymar disputou 15 partidas na temporada, começou 14 como titular e acumulou 1.256 minutos, média de aproximadamente 84 minutos por jogo. Em média, percorre 9,1 quilômetros por 90 minutos e registra 9,8 sprints.

A velocidade máxima indicada é de 33,2 km/h. Os dados sugerem que continua capaz de acelerar em determinadas situações, embora a intensidade física sustentada seja uma das questões a observar diante das exigências do futebol internacional.

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Com a bola, porém, seu repertório segue relevante. O atacante registra 70 ações com bola por partida, cria cinco grandes chances e distribui 2,3 passes decisivos. Também acerta 74% dos passes, com 71% de aproveitamento no terço final.

São indicadores que ajudam a explicar por que Neymar ainda pode contribuir na organização ofensiva, na criação de oportunidades e na definição de jogadas. A questão não é apenas saber se consegue jogar 90 minutos no ritmo exigido por Ancelotti.

Um papel diferente na Seleção de Ancelotti

Caso Neymar reconsiderasse a aposentadoria internacional, o cenário mais realista seria uma função diferente daquela que desempenhou durante grande parte da carreira. Aos 34 anos, não seria razoável construir o projeto em torno de um jogador que precisa de gestão física e de continuidade competitiva.

Por outro lado, poderia oferecer criatividade, experiência e capacidade de decisão em partidas nas quais o Brasil encontrasse dificuldades para furar defesas fechadas. Entrando durante a segunda etapa, por exemplo, Neymar teria a possibilidade de mudar o ritmo ofensivo, assumir bolas paradas e explorar espaços com passes decisivos.

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O obstáculo, contudo, é significativo. Ancelotti afirmou em julho que Neymar e outros veteranos não faziam parte dos planos da Seleção para o novo ciclo, cuja prioridade passa por construir um grupo competitivo para a Copa América de 2028. O próprio jogador também foi categórico ao dizer que não queria continuar defendendo o Brasil.

Além disso, Neymar recebeu uma suspensão de dois jogos após a expulsão diante do Bahia, em 25 de outubro, e também cumprirá uma partida de suspensão automática. A punição reduz o número de compromissos que ainda poderá disputar pelo Santos nesta reta final de temporada.

O maior artilheiro da história ainda merece uma despedida?

Neymar é, segundo o critério da FIFA para jogos entre seleções, o maior artilheiro da história do Brasil. São 80 gols em 130 partidas, contra 77 de Pelé e 62 de Ronaldo. O número reforça a dimensão histórica de um jogador que marcou uma geração, embora o debate estatístico sobre os gols de Pelé varie conforme os critérios utilizados.

Uma eventual homenagem ou partida de despedida seria uma forma de reconhecer esse legado, mas não há confirmação pública de que a CBF esteja organizando um jogo específico para esse fim. A convocação de Ancelotti, prevista para 29 de outubro, também não deve ser interpretada como uma tentativa automática de reabrir o ciclo do camisa 10.

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Os números de Neymar justificam a discussão sobre sua utilidade esportiva. Não apagam, porém, as declarações do jogador nem a intenção de renovação manifestada pelo treinador. Se houver uma reviravolta, o craque poderá oferecer recursos técnicos que poucos brasileiros possuem. Neste momento, contudo, uma despedida simbólica parece uma hipótese mais coerente do que um retorno efetivo à Seleção.

*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal

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