Aos 72 anos, o aposentado Valter Roberto Berg já cruzou o mundo para acompanhar o Corinthians. Esteve no Japão para ver o time conquistar o Mundial de Clubes de 2012 e, desde 2023, acompanha de perto a campanha das Brabas na Libertadores Feminina. Para ele, o clube é mais do que futebol: é colecionar alegrias, fazer amizades e alimentar uma paixão que vem desde criança.
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“Sempre fui muito apaixonado, chorava quando o Corinthians perdia. Na época do feminino, eu chorava muito, muito. Eu acho que apaixonado igual ao corintiano acho que não existe", diz. E não dá para negar: no saguão do hotel localizado no centro-norte de Quito, no Equador, ele apareceu vestindo a camisa e falando com a empolgação de um jovem de 20 anos sobre o amor pelo clube.
Morador de Presidente Prudente, no interior de São Paulo, viajou mais de 3 mil quilômetros para acompanhar o campeonato desde o começo, em 13 de outubro. Berg veio preparado para chegar até a final, junto com as meninas, e deve ter gastado menos de R$ 20 mil com passagens, hospedagem, ingressos e alimentação.
Na última quarta-feira, 29, dia da classificação do elenco para a final, Berg cantou e vibrou para levantar o time do começo ao fim da partida contra o Santa Fe, no estádio Rodrigo Paz Delgado. “É gostoso ver as meninas, elas jogam bem, são unidas, têm uma amizade. São muito lindas, muito irmãs", diz, ao mencionar que se considera amigo das jogadoras, pois vez ou outra consegue se hospedar no mesmo hotel.
Paixão que vem desde pequeno
Desde muito antes de ter cabelos brancos e trabalhar em um banco, Berg já era apaixonado pelo Corinthians. Não perdia um jogo e chegou a sonhar em ser jogador de futebol. “Eu era muito bom de bola”, reforça. Na região onde mora, é muito comum recrutadores de adolescentes para os clubes, como o Esporte Clube Noroeste, de Bauru, e o Marília, mas seu objetivo era outro. “Eu falava: ‘Não, só quero se for para ir jogar no Corinthians”, relembra.
Foi numa conversa franca com seu pai que entendeu que seu amor não era por jogar bola, mas pelo alvinegro paulista. “Meu pai falou assim: ‘mas, se você for jogar no Corinthians, um dia, o Corinthians não vai querer você mais, você vai ter que jogar em outro time e vai ter que jogar contra o Corinthians’. Falei: ‘então, eu não quero ser jogador de futebol’”, conta.
O amor também cresceu e passou para as três filhas, mas só a caçula acompanha mesmo os jogos. Inclusive, é a mais nova que é fã das Brabas.
Sempre dá, ele tá lá vendo o Timão
À reportagem, o aposentado conta que não vai a todas as partidas, pois Presidente Prudente fica a 600 km de São Paulo, onde o clube joga sempre que é o mando. Então, ele dá preferência para as finais. Como na Liberta Masculina em 2012, quando o Corinthians foi campeão contra o Boca Juniors, no Pacaembu, na capital paulista.
Nesse mesmo ano, ele atravessou o mundo para ver o time do coração vencer o Campeonato Mundial de Clubes, contra o Chelsea, no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão. Achou que ia encontrar lá “meia dúzia de gato pingado”, mas se deparou com um bando de milhares de loucos pelo time.
“Chega lá, tem quase 30 mil corintianos, foi demais, demais. Ali foi muita emoção, muita emoção, porque a gente sabia que ia ser muito difícil, né? Foi muito legal mesmo”, descreve o título como sua maior emoção no esporte. E olha que ele já foi a oito Copas do Mundo e a uma porção de Olimpíadas, Jogos Pan-Americanos e Copa América.
Começou a ver ao vivo o feminino em 2023
Berg começou a assistir as Brabas na televisão, mas foi na Libertadores da Colômbia que o jogo mudou. Ali, ele viu pela primeira vez ao vivo o Corinthians ser tetracampeão. “Esse é o quarto ano que eu vou desde o primeiro jogo, estou invicto ainda”, afirma, ao mencionar que não deve ter gastado mais de R$ 60 mil nas quatro viagens para acompanhar as meninas.
Mas o gasto vale a pena, pois é nas viagens que ele se reúne com os conhecidos e outros loucos pelo Corinthians e até ficou conhecido do elenco feminino de tanto que está presente nas partidas. Pela sua experiência, o time feminino é bem diferente do masculino, e até mais simpático em relação aos torcedores. “Elas gostam, quando é criança, então, elas ficam doidas”, afirma.
Embora ele diga que já foi fanático pelo Corinthians e já até chorou pelo time do coração, hoje a paixão é mais branda, mas que ainda o leva para vários cantos do mundo atrás do clube. Para o aposentado, o Timão representa alegria, ainda mais com as Brabas arrebentando.
“A alegria que eu estou tendo aqui agora com as bravas, acho que vamos chegar ao heptacampeonato, se Deus quiser, estamos confiantes. A gente está tendo tristeza do outro lado, que estamos vendo o masculino praticamente na Série B. Tem chance, vamos torcer muito, mas está difícil. Não adianta, corintiano é corintiano até morrer”, finaliza.