A narradora brasileira Elaine Trevisan, 38 anos, acompanha atenta os jogos da semifinal da Libertadores Feminina de 2026 no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, no Equador. Essa é a primeira vez da jornalista cobrindo a competição em loco fora de casa, em meio a tantas outras no Brasil, que já a fizeram perder a conta, mas essa tem um gostinho especial.
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“É emocionante a gente entender o quanto o futebol feminino está crescendo e ganhando novos palcos”, destaca em conversa com o Terra. “Acho incrível, porque mais uma vez a gente vai ter uma final brasileira”, complementa. Essa é a terceira vez na história que a competição será entre dois times brasileiros, já que Corinthians e Cruzeiro confirmaram o favoritismo e venceram Santa Fe e Olimpia, respectivamente, para selarem a classificação para a decisão.
Entre uma partida e outra, Elaine palpita sobre as jogadas e até celebra quando as brasileiras marcam. Em outros momentos, também se mostra indignada com alguma falta ou cartão distribuído durante os mais de 180 minutos dos dois jogos. Ela chega a questionar a escolha de Quito para a Libertadores Feminina.
“A gente tem as maiores forças do futebol, tanto na Colômbia quanto no Brasil. Eu não entendo muito a escolha do Equador para a sede, mas beleza”, analisa.
“Por que na altitude? Se a gente pegar todos os países que tem times representados aqui, o Equador no ranking da FIFA, falando em seleção é o oitavo”, pondera ao dizer que outros sete países poderiam ser sede ao invés daqui, mas reforça que mesmo com essa questão, nunca vai deixar de ser especial uma Libertadores Feminina.
Isso porque o futebol feminino é diferente. As jogadoras parecem mais focadas do que no masculino, existe uma coletividade maior e a entrega é alta. Fora o público, mesmo que pequeno, é sempre empolgado, puxa o canto, e faz barulho mesmo para ajudar quem está em campo, segundo Elaine.
“Para mim, cobrir o futebol feminino sempre é uma coisa diferente, porque eu acho que ele traz uma alma que, às vezes, no masculino a gente perdeu um pouco. Ele [futebol feminino] tem uma paixão muito genuína, é diferente, então, para mim, sempre vai ser muito emocionante”, descreve.
Essa paixão genuína que a narradora menciona é algo que vê há muitos anos no esporte. Então, ver os dois times brasileiros chegarem à final pela disputa do título tem um sabor diferente para ela, ainda mais quando menciona a possibilidade das Brabas em conseguirem o heptacampeonato.
Elaine relembra que narrou o primeiro título do clube, em 2017, quando ainda era Corinthians/Audax, numa partida contra o Colo-Colo, no Chile. Naquele 21 de outubro, as Brabas foram para os pênaltis e a goleira Lelê brilhou ao defendeu duas cobranças, fazendo o clube vencer por 5 a 4.
“Era uma época que até eu tava começando a narrar, então era web rádio ainda, e lembro muito que aquela foi minha primeira decisão por pênaltis, então, essa final que foi o primeiro título do Corinthians foi muito especial, e daí entender que, talvez no hepta, eu esteja em loco em outro país, cobrindo. Parece que traz uma conexão boa, entendeu? De como a história caminhou”, afirma.
Mas ela acrescenta que as Cabulosas também renderam dentro da competição, chaveando do seu lado, assim como o Corinthians. E veremos cenas um duelo de verdadeiras rivais, já que as Brabas eliminaram o Cruzeiro nas quartas de final do Brasileiro deste ano, além de ter sido o campeão do Brasileirão do ano passado contra o mesmo time.
“Acho que é um encontro bem interessante. E fico mais tranquila, porque se for dois brasileiros, a gente sabe que alguém traz o título para o Brasil”, finaliza.