A Copa do Mundo Feminina de 2027, no Brasil, aumenta a disputa por vagas na seleção brasileira. Enquanto algumas atletas já estão consolidadas, outras buscam destaque na Europa para conquistar espaço no grupo de Arthur Elias.
Entre Espanha, Portugal, Inglaterra, Itália e Alemanha, uma legião de brasileiras atua nas principais ligas europeias. Algumas já são titulares, enquanto outras buscam afirmação, mas todas têm o mesmo objetivo: disputar a Copa de 2027.
Defesa reúne experiência e juventude
Na defesa, poucos nomes chegam tão consolidados quanto Antônia Silva. A zagueira do Real Madrid soma cerca de 50 partidas pela Seleção Brasileira, disputou Jogos Olímpicos e Copa do Mundo e continua sendo uma das principais referências defensivas do país.
Apesar de uma temporada marcada por problemas físicos, continua muito bem cotada para liderar a defesa brasileira no Mundial em casa. Ao lado dela surge uma jogadora que representa o futuro da posição.
Lauren Leal, do Atlético de Madrid, tem 23 anos e mais de 30 jogos pela seleção brasileira. Forte no jogo aéreo e madura taticamente, a defensora fez uma grande temporada na Liga F e aparece como nome forte para o próximo ciclo mundialista.
Nas laterais, Yasmim, ex-Corinthians e recentemente no Real Madrid, continua sendo uma alternativa muito apreciada por Arthur Elias. A experiência internacional e a qualidade na bola parada fazem dela uma candidata forte, embora precise recuperar ritmo competitivo após deixar o clube espanhol.
Meio-campo continua muito competitivo
O setor intermediário continua sendo um dos mais disputados da Seleção Brasileira. Nesse contexto, Ana Vitória, do Corinthians, mantém uma posição privilegiada. Depois das passagens por Atlético de Madrid, Benfica e PSG, a volante tornou-se uma das brasileiras mais experientes atuando na Europa.
Capaz de atuar como primeiro ou segundo volante, alia intensidade defensiva, boa saída de bola e inteligência posicional, características muito valorizadas por Arthur Elias. Já Thaisa Moreno, veterana do futebol europeu, representa uma alternativa de experiência
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Aos 37 anos, a meio-campista sabe que a concorrência aumentou, mas o currículo internacional e a liderança podem manter a camisa 5 do Flamengo na disputa caso consiga manter um bom nível competitivo.
Ataque mistura consolidação e novas promessas
É no setor ofensivo que talvez estejam algumas das maiores incógnitas para 2027. Uma das jogadoras em melhor momento é Giovana Garbelini, do Atlético de Madrid. A atacante, de 23 anos já soma internacionalizações pela Seleção principal.
Além disso, consolidou-se no futebol espanhol graças à velocidade, capacidade de desequilíbrio e versatilidade para atuar pelos dois lados do ataque. Outra atleta em ascensão é Luany, também no Atlético de Madrid.
Revelada pelo Fluminense, passou pelos Estados Unidos antes de explodir definitivamente na Espanha. Aos 23 anos, reúne velocidade, intensidade na pressão e boa capacidade de finalização, aparecendo como uma das jogadoras com maior margem de crescimento até 2027.
Portugal pode esconder algumas surpresas
Se a Espanha concentra boa parte das brasileiras mais conhecidas, Portugal pode esconder algumas candidatas inesperadas. No Benfica, Nycole Raysla continua sendo uma das principais referências ofensivas da equipe lisboeta.
Apesar das lesões que condicionaram parte das últimas temporadas, a atacante já representou a Seleção Brasileira e, recuperando a melhor forma, pode voltar ao radar de Arthur Elias. Ainda no Benfica, outro nome desperta enorme curiosidade: Clarinha.
Com 19 anos, ela é considerada uma das maiores promessas do clube português. Ainda sem convocações para a equipe principal, alia qualidade técnica, criatividade e enorme margem de evolução. Até 2027, dificilmente haverá muitas jovens brasileiras na Europa com um teto de crescimento tão elevado.
Também merece atenção Malu Schmidt, do Sporting Braga. Embora ainda esteja distante das principais listas da Seleção, vem acumulando boas atuações em Portugal e poderá entrar na discussão caso mantenha a evolução nas próximas temporadas.
Europa pode ser decisiva para o Mundial
Historicamente, atuar nas principais ligas europeias sempre representou um diferencial para as jogadoras brasileiras. Além do ritmo competitivo, a convivência diária com algumas das melhores atletas do mundo acelera o desenvolvimento tático, físico e mental.
Não por acaso, boa parte da base da atual Seleção Brasileira atua fora do Brasil. Até 2027 ainda há quase um ciclo completo pela frente. Lesões, mudanças de clube, explosões inesperadas e novas promessas certamente alterarão o cenário.
No entanto, se o momento atual servir de indicador, nomes como Antônia, Lauren, Ana Vitória, Giovana Garbelini, Luany, Yasmim e Nycole partem na frente, enquanto Clarinha e Malu Schmidt surgem como candidatas a surpreender.
A Copa do Mundo será disputada no Brasil, diante da torcida. Para as jogadoras que atuam na Europa, cada minuto em campo pode ser o passo decisivo para realizar o sonho de disputar um Mundial com a camisa da seleção brasileira.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal