Um fenômeno de torcedores da Argentina tem surgido entre os brasileiros nos últimos anos. Na zona leste da cidade de São Paulo, o bar Moocaires virou um reduto para os que optam por vestir a camisa albiceleste na Copa do Mundo.
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Durante o jogo da fase 16 avos de final entre Argentina e Cabo Verde, o Terra foi ao estabelecimento para questionar esses brasileiros: o que te levou a torcer para os hermanos?
Cláudio Ferreira, de 38 anos, ‘pulou o muro’ se encantou pelo futebol argentino principalmente por causa da rivalidade. Essa paixão começou em 1999, quando o Brasil levou a melhor em clássico nas quartas de final.
“O que mais me fez gostar da Argentina foi mais o uniforme, esse azul tradicional que a gente sempre joga com o Brasil. Também, porque quando tem essa rivalidade entre Brasil e Argentina no futebol, é melhor ainda. É porque desde moleque eu sou apaixonado por futebol e me fez amar também. Me fez amar mais ainda quando tem esse confronto entre Libertadores, Brasil e Argentina. É bem melhor esse confronto”, conta à reportagem.
O copeiro, porém, mantém um carinho especial pela Seleção Brasileira e garante que vai torcer por seu País em caso de encontro nas semifinais da Copa: “Meu coração primeiro é o Brasil e depois a Argentina. Se um dos dois for campeão, para mim está bom, mas meu coração é brasileiro”.
O carinho pelos rivais também atinge os torcedores mais novos. Levado pela festa dos torcedores e por ídolos como Rodrigo Garro e Lionel Messi, Vitor Sabino, de 16 anos, se vestiu de Boca Juniors para acompanhar o jogo contra Cabo Verde.
“Eu me levo muito pela paixão, pelos fãs, pela torcida. Eu acho que é algo que move muito o futebol, né? Também tenho familiares, amigos que foram para a Argentina, então gosto muito do espírito, da torcida, da maneira como eles torcem, então acho que é algo que move o futebol.”
Assim como Cláudio Ferreira, o garoto tem a preferência pela Seleção Brasileira, apesar da torcida pelos hermanos: “Meu coração vai estar apertado, mas vai o Brasil, tem que ser o Brasil, o nosso País, mas sempre vai ter um carinho enorme pela Argentina”.
Também tem quem mudou de lado após uma decepção. Depois da derrota brasileira para a França na final de 1998, Renato Lamúcio, de 51 anos, assistiu ao Mundial de 2002 sem torcer para nenhuma seleção e, a partir de então, escolheu a Argentina para acompanhar.
“Em 2002, assisti à Copa sem seleção e aí o futebol argentino é aquilo que eu gosto: garra e amor à camisa. Dali para frente, só veio o fanatismo mesmo. Eu só fiquei assistindo para ver se alguma seleção me agradava. A Argentina era um futebol mais perto do que o brasileiro anterior a isso, e foi o que me agradou, e daí em diante eu torço muito para a Argentina mesmo”, completa.