HOUSTON - O árbitro australiano Shaun Evans, que apareceu durante a transmissão de Alemanha x Curaçao fazendo um gesto atribuído a movimentos supremacistas, disse que o sinal se tratou de um espasmo involuntário.
A justificativa foi emitida via comunicado de Evans enviado pela Fifa ao Estadão. O Comitê Disciplinar Independente da Fifa se pronunciou oficialmente falando que considera que Evans descumpriu o Código Disciplinar da entidade. Ainda não há uma decisão sobre a continuidade do árbitro na Copa.
"A única explicação que posso dar é que o movimento foi involuntário, um espasmo, e que eu não tive noção que o fiz", escreveu Evans. "Imagens durante a partida mostraram que eu repeti o movimento muitas vezes enquanto segurava uma caneta entre meus dedos".
Evans criticou a cobertura sobre o caso, dizendo que isso não reflete quem ele é. "Eu entendo como o gesto pode ser interpretado e sinto muito por isso. Mas quero deixar claro que não o fiz deliberadamente", continuou.
"Atuar na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira, e eu quero continuar ajudando meus colegas no restante do torneio", concluiu (leia a declaração completa abaixo).
O gesto, como um sinal de "OK", junta o polegar e indicador juntos, mas com a mão para baixo, num formato que indicaria as letras "WP" (White Power). O sinal foi adicionado pela ONG Liga Antidifamação (ADL) em uma lista de símbolos de ódio em 2019.
Shaun Evans tem 38 anos e é árbitro da Fifa desde 2017. Desde 2008, Evans integra o painel de árbitros da A-League, divisão principal da Austrália. Entre 2012 e 2013, ele se tornou assistente e, em seguida, juiz principal. Apenas em 2016 o profissional foi efetivado como árbitro de tempo integral. Até então, ele dividia o apito com a ocupação de pedreiro.
Declaração de Shaun Evans
Gostaria de esclarecer que não fiz nenhum gesto ou símbolo com a mão intencionalmente para comunicar uma mensagem, afiliação, jogo ou crença de qualquer tipo.
A única explicação que posso oferecer é que o movimento foi um espasmo involuntário e subconsciente, e eu não tinha consciência de tê-lo feito naquele momento. Imagens capturadas posteriormente durante a partida mostraram que repeti esse movimento diversas vezes enquanto segurava uma caneta entre os dedos.
A cobertura jornalística após este incidente simplesmente não reflete quem eu sou. É claro que entendo como o gesto foi interpretado e lamento isso, porém quero deixar bem claro e afirmar categoricamente que não fiz o gesto com a mão sugerido de forma consciente ou deliberada.
Atuar como árbitro na Copa do Mundo é a maior honra da minha carreira e estou ansioso para apoiar meus colegas durante o restante do torneio.