O drama que a TV Globo está passando agora às vésperas da Copa do Mundo de 2026, quando Luis Roberto de Múcio foi diagnosticado com neoplasia na região cervical e afastado das transmissões nos Estados Unidos, no México e no Canadá aconteceu caso semelhante com a Band, em 2014. Dois meses antes do Mundial no Brasil, o narrador Luciano do Valle, no dia 19 de abril de 2014, aos 66 anos, sofreu um infarto em um avião a caminho de Uberlândia, onde cobriria o jogo entre Atlético-MG e Corinthians, pelo Campeonato Brasileiro, e morreu.
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Na época, a Band escolheu Téo José para ter a incumbência de ocupar a vaga deixada por Luciano. “Perder um companheiro de trabalho já é difícil, e ficou mais complicado pois seria a primeira Copa que o Luciano narraria no Brasil. Ele foi uma figura tão grande para o esporte, não só como narrador, mas com tantos eventos que investiu. Essa é uma diferença muito grande em substituições”, disse em entrevista ao Terra. “Eu não substituí ninguém, eu entrei no lugar de uma pessoa que, infelizmente tinha falecido. Era uma responsabilidade enorme, e lógico que causava muita incerteza na cabeça de muita gente, do público em geral, e de pessoas ligadas àquele projeto”, destacou.
“O Luciano do Valle era o número um da Band e ele estava já escalado, credenciado, com jogos definidos para a Copa do Mundo. Aí ele morreu. Então, você perde o seu narrador principal pelo falecimento. Essa é a diferença”, explicou. “O Luis Roberto tem um lado triste, pesado, que as pessoas sentem. Ele está doente, mas vai se recuperar. Daqui, seis meses estará narrando novamente”, comentou. "A Globo ainda tem tempo para escolher outros narradores. Eu acredito que seja entre o Gustavo Vilani e o Everaldo Marques", comentou.
“Na mensagem que eu mandei a ele (Luis Roberto), falei que terá outras Copas do Mundo pela frente e cobrirá jogos da seleção brasileira. Comentei que fiz o Mundial e achei muito legal. Mas teve outros eventos que achei bem mais legal”. E Téo citou um evento recentemente que o encheu de orgulho. “Agora, por exemplo eu fiz o Campeonato Mundial de Moto de volta em Goiânia, na Band, na minha cidade. Eu sou muito goiano”, constatou.
Maior pressão na carreira
O narrador confessou que viveu um drama enorme durante a Copa de 2014 que foi realizada no Brasil. ”Foi um momento de extrema pressão na minha carreira, a maior que eu já tinha vivido. Era claro na minha cabeça ter um critério de comparação, e eu sabia disso, eu não sou bobo. Eu tinha consciência que se eu conseguisse fazer o meu melhor, eu ia dar o retorno esperado”, explicou.
Para aliviar um pouco a tensão, até desenvolveu uma forma de extravasar. “Eu colocava na minha cabeça que de repente eu estava fazendo um Flamengo x Corinthians, Fluminense e Vasco”.
E para aumentar a dramaticidade, Téo teve outro problema. “Eu peguei virose uma semana antes do jogo do Brasil contra a Alemanha”, disse. “Eu estava muito preocupado se eu conseguiria chegar inteiro até o final do jogo, com problema na voz. Eu estava bem debilitado, e fiquei dois dias antes daquele jogo internado no Hospital São Luís, para tentar uma recuperação mais rápida. Pouca gente sabia, nem pra minha família eu contei”.
Além disso, Téo lembrou ainda que em 2014 o Brasil vivia um momento conturbado por causa da política. “Tinham aqueles protestos que estavam acontecendo. Em tinha manifestação, quebra-quebra”, recordou.
Tranquilidade na fé
Para suportar todas as adversidade encontradas, Téo José se apegou na religião. “Eu sou um cara religioso, católico. Sempre que eu chegava em uma cidade, eu procurava uma igreja para ir lá buscar um pouquinho de energia positiva”, lembrou. “Eu me desabafava sempre com três pessoas que estavam sempre do meu lado. Também estudei muito mais do que os outros jogos antes das transmissões”, finalizou.