A disputa tecnológica da Fórmula E ganhará um novo capítulo com a chegada da Gen4. No desenvolvimento do Porsche 975 RSE, carro que será utilizado pela fabricante a partir do fim de 2026, mais de 1,5 milhão de linhas de código foram incorporadas às unidades de controle do monoposto.
Segundo a Porsche, os códigos estão distribuídos em mais de 100 módulos de software, cada um responsável por funções específicas do carro. A fabricante considera o desenvolvimento interno do sistema um dos principais diferenciais de desempenho na nova geração.
“Esse software maximiza a potência que temos nas rodas”, explicou Olivier Champenois, líder técnico do projeto de Fórmula E da Porsche Motorsport.
Na Gen4, chassis, aerodinâmica e bateria são componentes padronizados. As fabricantes, porém, mantêm liberdade para desenvolver partes do conjunto motriz traseiro e o software de operação. Isso faz com que a disputa pelo desempenho se concentre cada vez mais em áreas que não são visíveis externamente.
Para a Porsche, manter o desenvolvimento do software dentro da própria estrutura permite responder mais rapidamente a mudanças e novos desafios. O conhecimento também permanece com os profissionais envolvidos tanto no desenvolvimento quanto nas operações de corrida.
Desenvolvimento começa antes da pista
O projeto conceitual do 975 RSE começou em 2024, mesmo ano em que a Porsche iniciou os trabalhos no simulador. A fabricante afirma que boa parte do desenvolvimento acontece virtualmente antes de o carro chegar à pista.
Componentes individuais podem ser integrados a ambientes digitais e testados em bancadas, permitindo avaliar sistemas mesmo quando o monoposto físico ainda não está completamente construído.
Os testes virtuais, no entanto, não substituem completamente o trabalho na pista. Segundo a Porsche, mesmo os simuladores e bancadas mais avançados apresentam uma diferença de aproximadamente 2% a 3% em relação às condições reais.
Pascal Wehrlein e Nico Müller começaram a testar o 975 RSE em pista em novembro de 2025.
Energia será um dos grandes desafios
A importância do software também aparece no gerenciamento de energia, um dos pontos centrais da Fórmula E. O sistema controla, entre outras funções, a quantidade de energia recuperada durante as frenagens e devolvida à bateria.
O sistema de tração integral da Gen4 permitirá uma recuperação de energia de até 700 kW. De acordo com a Porsche, aproximadamente metade da energia utilizada pelo carro durante uma corrida será proveniente da regeneração.
A bateria terá 51,25 kWh de capacidade utilizável. Com isso, apenas cerca de metade da energia necessária para completar uma corrida estará armazenada no início da prova. O restante precisará ser recuperado ao longo da disputa.
O motor elétrico do eixo traseiro poderá recuperar sozinho até 350 kW.
A Porsche também adotará um sistema de resfriamento direto a óleo para o motor elétrico. O fluido não condutor circula diretamente pelas bobinas do estator, permitindo maior eficiência térmica. Segundo a fabricante, um motor de desempenho semelhante com o tradicional sistema de resfriamento por água precisaria ser aproximadamente 50% maior.
Com a Gen4, portanto, a Fórmula E amplia uma característica que já faz parte de sua identidade: o desempenho não estará apenas no que pode ser visto no carro. Software, gerenciamento de energia e estratégias de controle devem assumir um papel cada vez maior na diferença entre as fabricantes.