A Mahindra Racing reconhece que chega à nova era Gen4 da Fórmula E em desvantagem diante das principais rivais. A fabricante indiana iniciou os testes com seu novo carro apenas em julho, meses depois de outras equipes já terem colocado protótipos da nova geração na pista. Ainda assim, a equipe acredita que o novo sistema de atualizações da categoria pode ajudar a reduzir a diferença ao longo da temporada.
O atraso começou antes mesmo dos primeiros testes. A aprovação do projeto pelo conselho da Mahindra aconteceu apenas em novembro de 2025, quando outras fabricantes já trabalhavam no desenvolvimento de seus carros. O início dos testes, inicialmente previsto para maio deste ano, ainda foi adiado por problemas relacionados a fornecedores e decisões de gerenciamento de riscos.
O primeiro shakedown do Gen4 da Mahindra aconteceu em meados de julho, no Reino Unido. Desde então, a equipe intensificou o programa de desenvolvimento. O piloto de testes Jake Hughes foi responsável pelas primeiras atividades, enquanto Nyck de Vries e Edoardo Mortara também passaram a conduzir o novo carro no fim de agosto.
De Vries, que venceu duas corridas pela Mahindra na temporada 2025/26, reconheceu que o atraso coloca a equipe atrás das concorrentes.
“É obviamente um segredo que não é segredo: estamos atrasados. É um fato, não vou negar”, afirmou o holandês à Motorsport.com. O piloto, entretanto, destacou a estabilidade da estrutura da Mahindra como um possível trunfo para acelerar a recuperação.
A equipe passou por uma grande reformulação nos últimos anos e conseguiu transformar um dos carros mais lentos do início da era Gen3 em um projeto capaz de disputar vitórias e pódios. Na temporada 2025-26, a Mahindra terminou o campeonato entre as principais equipes da categoria.
Desenvolvimento em ritmo acelerado
O chefe da Mahindra, Frederic Bertrand, admite que o tempo perdido não pode ser recuperado completamente, mas afirma que o atraso não significa necessariamente um início ruim de temporada.
Segundo o dirigente, a prioridade nas primeiras semanas de desenvolvimento foi garantir a confiabilidade do carro antes de buscar ganhos maiores de desempenho. A estratégia foi evitar colocar na pista um projeto ainda imaturo e comprometer etapas importantes do programa de testes.
“Agora o objetivo é garantir que a confiabilidade esteja no nível que esperávamos”, explicou Bertrand. A partir disso, a equipe pretende concentrar os esforços no desenvolvimento de performance.
O Gen4 representa uma mudança significativa para a Fórmula E. Os novos carros terão tração integral permanente e potência máxima de 600 kW no Attack Mode, além de capacidade de regeneração de até 700 kW. A nova geração também poderá superar os 335 km/h.
O “coringa” da Mahindra
Apesar da desvantagem inicial, a Mahindra conta com uma novidade importante no regulamento para tentar recuperar terreno: o sistema de atualizações baseado em tokens.
Diferentemente do ciclo anterior, em que as fabricantes precisavam esperar pela atualização de meio de ciclo para promover mudanças significativas nos conjuntos propulsores, o novo sistema permite que determinadas áreas do carro sejam modificadas ao longo do desenvolvimento.
Para Bertrand, essa possibilidade foi fundamental para que a Mahindra encarasse o atraso com menos preocupação.
O dirigente considera que, caso a equipe identifique uma deficiência de desempenho no início da temporada, poderá reagir em um período mais curto, sem precisar ficar presa ao mesmo conceito durante anos. É justamente essa possibilidade que ele considera o “joker” da equipe.
“Mesmo que no início vejamos um pequeno déficit em alguma área, temos o sistema de joker. Não precisamos esperar dois anos ou mais para conseguir mudar as coisas”, afirmou Bertrand.
A Mahindra ainda terá os testes coletivos de pré-temporada como uma oportunidade para diminuir parte da diferença. O teste oficial está previsto para novembro, em Jarama, na Espanha, antes da abertura da temporada 2026-27, marcada para Jeddah, na Arábia Saudita, em dezembro.
Depois de uma recuperação expressiva durante a era Gen3, a Mahindra terá agora um novo desafio: começar a Gen4 atrás das rivais e, ao mesmo tempo, repetir a capacidade de evolução que transformou a equipe em uma das forças do grid. A diferença é que, desta vez, o regulamento oferece à fabricante uma ferramenta adicional para tentar virar o jogo.