Zona do euro enfrenta grande impacto no crescimento mesmo se guerra do Irã fora resolvida rapidamente, diz FMI

14 abr 2026 - 11h05

O crescimento da zona do euro ‌desacelerará este ano e a inflação aumentará, forçando o Banco Central Europeu a elevar as taxas de juros, mesmo que os problemas econômicos causados pela guerra do Irã desapareçam até meados do ano, disse o Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira.

Importando a maior parte de suas necessidades de ⁠energia, a economia da zona do euro é especialmente vulnerável ao aumento ‌dos custos de energia, principalmente porque a guerra da Rússia na Ucrânia já prejudicou o acesso do bloco a recursos cruciais.

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O crescimento da ‌região deve agora desacelerar para 1,1% este ‌ano, de 1,4% em 2025, abaixo da taxa de 1,3% ⁠prevista em janeiro, já que a guerra mais do que anula a expansão melhor do que a prevista no final do ano passado, disse o FMI em seu relatório Perspectiva Econômica Mundial.

"O (impacto da guerra) se somará aos efeitos do aumento persistente dos preços da energia desde a invasão ‌da Ucrânia pela Rússia, pesando sobre a produção industrial, com pressão adicional ‌da valorização real do ⁠euro em relação ⁠às moedas de países que exportam produtos semelhantes", disse o FMI.

Ainda assim, o FMI ⁠é mais otimista do que ‌o BCE, que previu um ‌crescimento de 0,9% em seu próprio cenário básico no mês passado, antes de uma rápida retomada em 2027.

Um aumento planejado nos gastos com defesa atenuará parte do impacto esperado, mas a alta dos ⁠gastos é relativamente lenta, de modo que o impulso provavelmente se concretizará mais tarde, acrescentou o FMI.

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Enquanto isso, a inflação saltará de 2,1% no ano passado para 2,6% em 2026, de acordo com a projeção do "cenário básico" do FMI, que ‌pressupõe que a guerra terá duração, intensidade e escopo limitados, permitindo que as interrupções desapareçam em meados de 2026.

É provável que a taxa ⁠de depósito de 2% do BCE aumente em 50 pontos-base ao longo de 2026 em resposta a esse aumento da inflação, disse o FMI.

Esse aumento previsto está de acordo com as apostas do mercado e os investidores precificaram totalmente uma alta dos juros até junho, com base na premissa de que o BCE desejará enviar um sinal de que não tolerará que a inflação se espalhe além da energia e gere uma espiral de preços.

Entretanto, assim como o BCE, o FMI disse que resultados muito piores são possíveis e que seus cenários "adverso" e "grave" apontaram para maiores impactos no crescimento em todo o mundo e um aumento maior da inflação.

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