BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que sonha com a criação de empresas públicas de distribuição de gás e de combustível e de transmissão de energia elétrica. As declarações em defesa de novas estatais ocorreram nesta terça-feira, 14, em entrevista aos sites Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum.
"Na privatização da BR (Distribuidora), está escrito que se a gente quiser readquiri-la, só a partir de 2029. Até lá, ela pode ser vendida para qualquer um, menos para a própria Petrobras. E a mesma coisa vale para a Eletrobras", disse Lula.
"São dois escândalos", continuou. "Como não conseguiram privatizar a Petrobras, eles foram tentando privatizar partes da Petrobras. Então, vendem uma refinaria aqui, outra refinaria ali", afirmou.
No final de março, o governo federal aumentou a sua estimativa de déficit primário das empresas estatais este ano, de R$ 1,074 bilhão para R$ 1,520 bilhão. A revisão consta do Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do primeiro bimestre, divulgado na íntegra no dia 25.
A projeção para o ano já exclui do cálculo gastos de R$ 10 bilhões com o plano de reestruturação dos Correios, além de cerca de R$ 4 bilhões em outras despesas não computadas para fins de cumprimento da meta das estatais. Incluindo esses dispêndios, o "déficit de facto" esperado é de R$ 15,458 bilhões.
Na entrevista desta terça-feira, 14, Lula afirmou: "Obviamente, eu quero dizer para você. Da mesma forma que, no meu primeiro mandato, eu comprei uma empresa para a gente distribuir gás, para a gente poder controlar o preço, e eles venderam, eu ainda sonho que a gente vai ter uma empresa distribuidora de gás, eu ainda sonho que a gente vai ter distribuidora de combustíveis".
O presidente acrescentou: "Eu ainda sonho que a gente vai criar uma outra Eletrobras, ou quem sabe uma empresa mais moderna e melhor".
O presidente disse também que o governo tem adotado medidas como o acordo com governadores pela isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a cobrança de imposto dos exportadores, seria útil neste momento ter a BR Distribuidora nas mãos do Estado. "Agora, se a gente tivesse a BR na nossa mão, o não aumento de preço seria controlado por nós", afirmou.