A presidente da União Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta terça-feira, 5, que o bloco está "preparado para todos os cenários", após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar aumentar os impostos sobre carros europeus.
Na sexta-feira, Trump prometeu aumentar as tarifas sobre carros e caminhões da UE de 15% para 25%, acusando o bloco de descumprir um acordo comercial firmado no ano passado.
"Um acordo é um acordo, e nós temos um acordo", disse a presidente da Comissão Europeia a jornalistas em Yerevan. "Ambos estamos implementando este acordo, respeitando os diferentes procedimentos democráticos que temos em cada lado."
O Parlamento Europeu aprovou condicionalmente o acordo comercial UE-EUA, mas uma versão final ainda precisa ser negociada com os Estados-membros do bloco.
O chefe de comércio da UE, Maros Sefcovic, realizará conversas em Paris na terça-feira com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, que reclamou de um processo de aprovação da UE "muito lento", bem como de emendas que "limitariam o acordo".
"O presidente decidiu que, se os europeus não estão implementando o acordo agora, então nós também não precisamos implementá-lo integralmente neste momento", disse Greer na segunda-feira.
A Comissão Europeia, responsável pela política comercial da UE, composta por 27 nações, deixou claro que está mantendo suas opções em aberto caso as novas tarifas sobre carros propostas por Trump entrem em vigor, sem, no entanto, especular sobre quais medidas poderá tomar.
Macron exige 'bazuca'
Mas o presidente francês, Emmanuel Macron, também em visita de Estado à Armênia, afirmou que o bloco deve estar preparado para ativar seu poderoso instrumento anticoerção (ACI).
Criticando duramente o presidente dos EUA por fazer "ameaças de desestabilização", Macron disse que a UE "se equipou com instrumentos que terão de ser acionados, porque é precisamente para isso que servem".
A França, potência-chave da UE, tem pressionado repetidamente o bloco para que utilize o poderoso instrumento comercial ACI, caso Trump concretize as sucessivas ameaças comerciais dirigidas aos países europeus.
A UE nunca utilizou esse instrumento, que visa dissuadir os países de exercerem pressão geopolítica sobre o bloco. Apelidada de "bazuca" da UE, ela permite uma série de respostas, desde tarifas sobre produtos americanos até restrições à exportação de bens estratégicos e a exclusão de empresas americanas de licitações na Europa.
O acordo comercial do ano passado limitou as tarifas americanas a 15% sobre a maioria dos produtos da UE, incluindo carros - um valor inferior aos 25% que Trump impôs sobre veículos de muitos outros parceiros comerciais.
A comissão insiste que permanece comprometida com o acordo. "Do lado da União Europeia, estamos agora nas fases finais de implementação dos compromissos tarifários restantes", disse von der Leyen.
"Ao mesmo tempo, os EUA têm o compromisso - por exemplo, nos casos em que o alinhamento com o limite acordado ainda está pendente", disse ela. "Portanto, buscamos neste trabalho ganho mútuo, cooperação e confiabilidade - e estamos preparados para todos os cenários."
Mas a validade do acordo de 2025 foi colocada em dúvida pela primeira vez depois que a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, neste ano, que o presidente republicano não tinha autoridade legal para declarar uma emergência econômica e cobrar tarifas sobre produtos da UE.
O acordo inicial previa um teto tarifário de 15% sobre produtos da UE, mas a decisão da Suprema Corte reduziu esse valor para 10%, já que o governo Trump lançou um novo conjunto de impostos de importação com base em outras leis. /AP