"O que mudou minha vida foi vender bananada dentro do ônibus, os imóveis foram consequência”, diz fundador de imobiliária que hoje movimenta R$ 400 mi

A Okre Imóveis alcançou R$ 400 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2025 e projeta crescer cerca de 60% neste ano

4 mai 2026 - 04h59
O empresário Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis
O empresário Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis
Foto: Divulgação

De vendedor de bananada em ônibus no Rio de Janeiro a dono de imobiliária com atuação em três Estados, o empresário Paulo Dornelle, fundador da Okre Imóveis, transformou uma trajetória marcada por dificuldades financeiras em um negócio que hoje movimenta centenas de milhões de reais no mercado imobiliário.

Criada há pouco mais de três anos, a empresa atua principalmente na Zona Sul do Rio de Janeiro e também já expandiu operações para São Paulo e João Pessoa, na Paraíba. Segundo o empresário, a imobiliária alcançou R$ 400 milhões em Valor Geral de Vendas (VGV) em 2025 e projeta crescer cerca de 60% neste ano.

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Nascido e criado na Vila Kennedy, em Bangu, Zona Oeste do Rio, Paulo começou a trabalhar ainda na adolescência. Aos 13 anos, passou a vender doces em ônibus na Zona Sul da capital fluminense para ajudar em casa.

Segundo ele, a experiência nos ônibus foi decisiva para desenvolver habilidades que mais tarde utilizaria no mercado imobiliário. “O ônibus te ensina muito. Você aprende a lidar com rejeição, a falar com as pessoas e a criar oportunidades. Isso mudou minha vida. Não foram os imóveis. Os imóveis foram consequência. O que mudou minha vida foi aprender a vender dentro do ônibus”, afirmou.

A entrada no setor imobiliário aconteceu de forma inesperada. Enquanto fazia um bico como auxiliar de pedreiro em uma imobiliária, Paulo chamou a atenção de uma corretora ao ajudar em uma visita a um apartamento. Curioso sobre a profissão, perguntou o que precisava para se tornar corretor. A resposta foi simples: ter concluído o ensino médio. Após insistir durante meses por uma oportunidade, conseguiu entrar na empresa onde iniciaria a carreira.

Sem experiência formal, passou a estudar contratos, documentação e processos imobiliários. “Eu me oferecia para fazer tudo. Virava corretor, office-boy, ajudava gerente. Queria aprender”, contou. Para ele, conquistar a confiança dos gestores da imobiliária foi fundamental para crescer na empresa. O desempenho rápido levou Paulo a cargos de liderança. Aos 24 anos, já ocupava uma diretoria comercial.

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A primeira experiência como sócio de um negócio durou até 2022, quando, segundo ele, problemas societários o fizeram recomeçar praticamente do zero. Paulo descreve o período como importante para entender os desafios de uma sociedade empresarial. “Sociedade é como um casamento. Você convive diariamente tentando fazer aquilo funcionar, mas existem princípios que, para mim, não podem ser quebrados. Quando esses princípios se rompem, muitas vezes o relacionamento também acaba”, disse.

Segundo o empresário, a ruptura ocorreu após um período de forte crescimento da empresa. “Foi uma experiência muito difícil para mim. Prefiro não entrar em detalhes, mas foi um momento em que precisei praticamente recomeçar”, afirmou.

Foi nesse contexto que nasceu a Okre Imóveis. A empresa começou pequena, mas apostando fortemente em redes sociais e conexão com clientes. “O mercado mudou muito depois da pandemia. Não basta vender imóvel, você precisa gerar conexão”, afirmou.

Segundo Paulo, a estratégia da empresa foi investir na construção de marca pessoal dos corretores e em conteúdos voltados ao cotidiano do mercado imobiliário, principalmente no Instagram. Ele também acredita em fortalecer a conexão com os funcionários e promove eventos em datas comemorativas.

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“Dia das mães é um dia especial, dia das mulheres é um dia especial, dia dos pais é um dia especial. Eu não acredito numa conexão lá fora se ela não existe aqui dentro”, afirmou.

Apesar da expansão, Paulo afirma que o foco atual é consolidar a estrutura da empresa e fortalecer a operação nos mercados onde já atua. “Eu não acredito que uma empresa se consolide em menos de cinco anos. Costumo dizer para o meu pessoal que o primeiro ano é de sobrevivência. O segundo é de afirmação, quando você começa a perceber que o negócio realmente pode dar certo. Já o terceiro, na minha visão, é o período de consolidação”, disse.

Por isso, segundo ele, foi importante começar de forma nichada no Leblon antes de expandir para outros bairros. Hoje, a empresa atua também em Ipanema, Copacabana, Botafogo e Flamengo. Além do Rio, abriu operações em São Paulo e João Pessoa. A capital paraibana, segundo o empresário, tornou-se um dos principais polos de expansão imobiliária do País.

“Hoje, o que estamos fazendo é organizar e fortalecer toda a nossa base e estrutura. Isso passa pela contabilidade, pelo jurídico, pelo pós-venda, pela diretoria e também pelas equipes de apoio, como as profissionais da limpeza, que são muito importantes para o funcionamento da empresa”, afirmou.

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O empresário também estuda novas expansões. Entre os mercados analisados estão Vitória, no Espírito Santo, e cidades do Nordeste. No Rio de Janeiro, avalia o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca.

Fonte: Portal Terra
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