Já faz 24 anos que a catarinense Damir Forner se tornou empresária. Ainda assim, é como “professora” que ela continua se reconhecendo. Afinal de contas, mesmo tendo mudado a forma de atuar, toda a sua vida foi dedicada à educação. Antes, ficava na sala de aula mesmo, por onde ensinou a alunos de quase todas as faixas etárias; agora, está à frente da escola de educação infantil Peixinho Feliz, que deve chegar aos Estados Unidos em breve.
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“Até hoje, nós percebemos que as famílias pensam em oferecer aos filhos uma educação de excelência na universidade e no ensino médio, para prepará-los para a universidade. E a sociedade não se lembra que a educação infantil é fundamental para o indivíduo, que o que acontece na infância acompanha o indivíduo pelo resto da vida. Uma educação infantil de qualidade faz toda a diferença na vida do ser humano”, defende.
Foi com esse pensamento que ela voltou ao Brasil de um mestrado na Universidade de Michigan, nos EUA. Damir percebeu que, aqui, a educação infantil tinha um caráter voltado ao assistencialismo – ou seja, as creches e escolas para essa faixa etária eram vistas muito mais como um local para se deixar o filho em segurança enquanto os pais trabalham do que um espaço realmente de desenvolvimento da criança.
Dessa inquietação, em 2002, Damir fundou a primeira escola da rede Peixinho Feliz, em Chapecó (SC). Hoje, já são 10 unidades abertas, em modelo de franquia, pelo País, com faturamento médio anual total de R$ 15 milhões. Agora, há também o projeto de expansão para a Flórida, em Orlando.
Metodologia
Damir considera que o diferencial da Peixinho Feliz para outras escolas de educação infantil está na metodologia que desenvolveu, junto a outra profissional de educação, pautada pela neurociência. “Todo ser humano se beneficia quando as questões relacionadas à aprendizagem são tratadas cientificamente”, afirma.
“A educação brasileira é mais ideológica do que científica. É preciso entendermos que a qualidade da educação, que os resultados da aprendizagem das nossas crianças, dos nossos alunos, serão muito melhores se nós incluirmos conceitos científicos do desenvolvimento humano dentro da escola”, defende.
A professora destrincha ainda que a rede que ela fundou funciona baseada em três pilares: a educação ambiental; a formação humana; e o empreendedorismo através da alfabetização financeira para crianças. Em relação a este último pilar, Damir afirma que ele tem o intuito de “colocar a criança dentro do mundo real”.
“Nós trabalhamos os conceitos financeiros e matemática juntos. Então, esse pilar se destaca na visão das famílias. A criança entende, aprende a distinguir o que é realmente uma necessidade e o que é supérfluo, a dar valor”, diz.
Damir considera que foram os pilares da Peixinho Feliz que interessaram aos investidores norte-americanos. Ainda não há uma data prevista para a inauguração da primeira unidade da rede nos EUA, que depende ainda da obtenção de algumas licenças.
Segundo Damir, a marca Happy Little Fish já foi registrada no país e agora eles estão na fase de instalação da estrutura dessa primeira escola. A ideia é que, em alguns anos, a rede brasileira já esteja em alguns Estados norte-americanos, não só na Flórida.
O público-alvo é os brasileiros que moram na região, mas também famílias americanas. Assim como no Brasil, a Happy Little Fish será bilíngue, com ensino em português e inglês. Quem quiser matricular os filhos nas unidades nos EUA deverão pagar em torno de US$ 1.300 a US$ 1.500 por mês (entre R$ 7 mil e R$ 8 mil, na conversão atual).