As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) operam nesta sexta-feira com ganhos ante os ajustes da véspera no Brasil, após o IBGE divulgar dados mostrando a inflação oficial dentro do intervalo da meta, mas ainda pressionada por serviços.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries oscilam perto da estabilidade, com o mercado à espera da divulgação do relatório de empregos payroll, às 10h30.
Às 10h19, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,060%, em alta de 5 pontos-base ante o ajuste de 13,011% da sessão anterior. A taxa para janeiro de 2035 marcava 13,55%, em alta de 3 pontos-base ante o ajuste de 13,523%. O rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- estava em 4,1831%, ante 4,1830%
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33% em dezembro, após elevação de 0,18% em novembro, encerrando 2025 com alta acumulada de 4,26%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam altas de 0,35% no mês e de 4,30% no ano.
O acumulado de 4,30% ainda está acima do centro da meta contínua de inflação perseguida pelo Banco Central, de 3%, mas está dentro do intervalo de tolerância, que vai até 4,50%. Em novembro a inflação oficial já havia ficado dentro do intervalo de tolerância, ao atingir 4,46% em 12 meses.
Embora a inflação de dezembro e do acumulado de 2025 tenham ficado abaixo das projeções dos economistas, a abertura dos dados ainda mostrou cenário de pressão de preços.
Conforme cálculos do banco Bmg, a inflação de serviços acelerou de 0,60% em novembro para 0,70% em dezembro, enquanto o índice de bens industriais passou de deflação de 0,28% para inflação de 0,48% no período.
Dentro de serviços, os subjacentes -- que excluem itens muito voláteis -- aceleraram de 0,30% para 0,55% em dezembro e os intensivos em mão de obra foram de 0,60% para 0,77%, de acordo com o Bmg. A média dos núcleos de inflação do Banco Central passou de 0,24% em novembro para 0,48% em dezembro, segundo o Bmg.
O economista-chefe do Bmg, Flavio Serrano, pontuou que a aceleração das métricas do IPCA já era esperada no mês de dezembro. "Mas ainda assim serviços seguem incomodando", acrescentou, chamando a atenção para a aceleração de serviços subjacentes e intensivos em mão de obra.
Em reação a este cenário ainda não tão favorável a cortes da Selic, as taxas dos DIs subiram.