As taxas dos DIs operam em queda nesta quarta-feira, impulsionadas pelo recuo dos rendimentos dos Treasuries e pelo enfraquecimento do dólar após a vitória democrata nas eleições legislativas dos EUA, cenário que trouxe maior previsibilidade aos mercados. No Brasil, investidores mantêm o foco na decisão do Copom, que deve pausar os cortes e manter a Selic estável em meio a um dilema entre a desaceleração da atividade econômica e a inflação ainda em patamar desconfortável.
As taxas dos DIs recuam nesta quarta-feira, com os mercados reagindo à vitória dos democratas nas eleições legislativas de meio de mandato dos Estados Unidos, enquanto os agentes locais se preparam para o anúncio da decisão de juros do Banco Central.
Às 11h00, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,55%, ante o ajuste de 14,62% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 15,325%, ante 15,485% da sessão anterior.
Nos EUA, os democratas assumiram o controle tanto do Senado quanto da Câmara dos Deputados dos EUA na terça-feira, obtendo vitórias esmagadoras em redutos republicanos pela primeira vez em gerações, enquanto dezenas de milhões de eleitores enviaram uma crítica contundente ao presidente Donald Trump.
O sucesso do partido ficou evidenciado pelos ganhos em distritos há muito considerados seguramente conservadores, ressaltando uma mudança no cenário político, o que pegou alguns investidores de surpresa.
Nesse contexto, os rendimentos dos Treasuries caem e o dólar enfraquece globalmente, favorecendo os ativos brasileiros.
No horário acima, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3 pontos-base, a 4,917%.
"A perspectiva de um governo dividido no Congresso americano foi recebida de forma otimista pelos agentes financeiros, uma vez que esse desenho político reduz as chances de mudanças econômicas bruscas e traz uma maior previsibilidade global", disse Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
Na cena local, agentes aguardam a divulgação da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central no final do dia.
Uma pesquisa da Reuters apontou que o Copom deve manter a taxa básica de juros Selic, dando uma pausa na série de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial.
O estrategista global da Avenue, Fernando Saad Benati, destaca que a decisão de hoje do Copom se dá em um momento sensível para a economia brasileira, tendo em vista a expectativa de desaceleração do PIB, mostrada nos relatórios Focus mais recentes, ao mesmo tempo em que a inflação permanece em um patamar desconfortável.
"Temos, portanto, duas forças atuando em direções opostas: de um lado, a necessidade de manter os juros elevados para controlar a inflação; de outro, os sinais de enfraquecimento da atividade econômica, que poderiam justificar algum afrouxamento monetário para evitar uma pressão ainda maior sobre o crescimento", destacou Benati.
"Por isso, será especialmente importante acompanhar a decisão de hoje e, principalmente, entender qual dessas duas preocupações terá maior peso na avaliação do Banco Central."