As taxas dos DIs fecharam em queda nesta terça-feira, acompanhando o recuo nos rendimentos dos Treasuries após John Williams, do Fed, indicar que não há pressa para novas altas de juros nos EUA. O mercado doméstico também foi influenciado por dados fiscais e de emprego melhores que o esperado, além de pesquisa eleitoral apontando empate técnico entre Flávio Bolsonaro e Lula na disputa presidencial, cenário que estimulou o viés de baixa na curva de juros em dia de forte volatilidade.
Em uma sessão marcada pela volatilidade, as taxas dos DIs fecharam esta terça-feira em baixa, em sintonia com o enfraquecimento dos rendimentos dos Treasuries durante a tarde, na esteira de comentários de uma autoridade do Federal Reserve.
O noticiário político brasileiro, marcado pela divulgação de nova pesquisa eleitoral, também permeou os negócios.
No fim da tarde, a taxa do Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2028 estava em 13,57%, com baixa de 9 pontos-base ante o ajuste de 13,664% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14%, com recuo de 4 pontos-base ante 14,04%.
Entre o fim da manhã e o início da tarde, os rendimentos dos Treasuries ganharam força em meio às preocupações com a inflação nos EUA, repetindo o roteiro de sessões mais recentes. Ainda que o petróleo tenha recuado ao longo do dia, os rendimentos dos títulos de 10 anos se aproximaram no início da tarde dos 5,29% -- o maior nível em décadas --, impulsionando a curva brasileira.
Mas o cenário mudou após declarações de autoridades do Federal Reserve, em especial do presidente do Fed de Nova York, John Williams. Segundo ele, o banco central dos EUA tem tempo para analisar os dados antes de decidir quando aumentar as taxas de juros novamente.
"Com as medidas de política monetária que adotamos em nossa reunião de setembro, não há necessidade de pressa", disse Williams no texto de um discurso preparado para ser proferido diante de uma plateia na Universidade de Buffalo, em Buffalo, Nova York.
Em reação, as taxas dos títulos norte-americanos de dois anos despencaram e os rendimentos dos Treasuries de 10 anos se afastaram da máxima do dia.
No Brasil, após marcar a máxima de 14,110% (+7 pontos-base) às 12h51, a taxa do DI para janeiro de 2035 -- um dos mais líquidos na ponta longa -- atingiu 13,980% (-6 pontos-base) às 15h42, já após os comentários de Williams.
A corrida presidencial brasileira também seguiu no radar dos investidores durante todo o dia.
Uma nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou pela manhã que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está com 47,7% das intenções de voto no segundo turno da disputa pelo Planalto, contra 47,6% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão tecnicamente empatados. No levantamento anterior, Flávio tinha 47,4% e Lula somava 47,7%.
No mercado, Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte dos agentes, que enxergam sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias mais favoráveis a Flávio -- como a liderança numérica no segundo turno pela pesquisa Atlas/Bloomberg -- tendem a trazer um viés baixista para o dólar e para a curva de juros.
A agenda de indicadores no Brasil também foi carregada. Pela manhã, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego no país ficou em 5,3% nos três meses até agosto, em linha com a projeção mediana dos economistas ouvidos pela Reuters.
Durante a tarde, o Ministério do Trabalho e Emprego informou que foram abertas no país 165.827 vagas formais de trabalho em agosto, bem acima da projeção de 97.826 postos.
Já o Tesouro informou que o governo central teve déficit primário de R$13,585 bilhões em agosto, resultado melhor que o rombo de R$15,540 bilhões do mesmo mês do ano passado. Economistas esperavam déficit de R$14,400 bilhões.
Os números ajudam a formar o quadro geral para os investidores que, por enquanto, estão divididos sobre o próximo passo do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. No início de novembro, já após o segundo turno, o colegiado vai se reunir para decidir o novo patamar da taxa básica Selic, hoje em 13,75% ao ano.
Às 16h34, o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo -- tinha queda de 3 pontos-base, a 4,895%. Já o retorno do título de 10 anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 2 pontos-base, a 5,259%.
(Edição de Pedro Fonseca)