Super Quarta: decisões sobre juros no Brasil e nos EUA devem ir em direções opostas; veja análises

Expectativa é de que a Selic caia para 13,75%, na última redução projetada pelo mercado para este ano

16 set 2026 - 10h40
(atualizado às 10h49)
"Super Quarta" é como se chama quando as reuniões do Copom e do Fed coincidem
"Super Quarta" é como se chama quando as reuniões do Copom e do Fed coincidem
Foto: Saulo Angelo/GettyImages

Nesta quarta-feira, 16, acontece o fenômeno conhecido como "Super Quarta", que é quando as agendas do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro e o do banco central norte-americano (Fed) decidem no mesmo dia sobre as taxas básicas de juros em seus respectivos países. Por aqui, a expectativa é de que haja corte na taxa Selic, enquanto os juros dos EUA devem ser elevados pela primeira vez desde julho de 2023

As projeções entre analistas do mercado financeiro no Brasil são de que o BC vai reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, chegando a 13,75%. Já nos EUA, o movimento deve ser o oposto, com analistas projetando aumento de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa para a ⁠faixa de 3,75% a 4,00%.

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Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, a Selic deve cair puxada pelo resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, em que houve deflação de 0,32%. A deflação ocorreu, principalmente, pelo alívio no preço da energia elétrica e por sinais de perda de fôlego na atividade doméstica, como a queda no consumo das famílias no PIB do segundo trimestre.

Ainda assim, mesmo com a desaceleração da economia, a expectativa é de que o corte desta quarta-feira seja o último na Selic até 2027. 

Já nos Estados Unidos, as projeções são de altas sequenciais na taxa básica de juros, que poderá chegar a 4,75% no decorrer do ano que vem. "A probabilidade de alta subiu de cerca de 60% para perto de 90% nos últimos dias, após um discurso mais duro de Kevin Warsh [presidente do Fed] em Jackson Hole, dados de inflação de agosto mais resistentes do que o esperado e a disparada do petróleo para acima de US$ 100 o barril, em meio à escalada do conflito no Oriente Médio", explica Vitor Kayo.

Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, considera que o número mais importante dessa Super Quarta refere-se à diferença entre as duas taxas básicas, que encolherá em 50 pontos-base após a rodada de decisões. 

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"O Brasil continuará oferecendo juros nominais muito superiores aos americanos, mas o capital internacional não compara apenas taxas: compara retorno, moeda, risco fiscal, liquidez e previsibilidade. O Brasil pode continuar pagando muito bem e, ainda assim, precisar convencer o investidor de que o cheque vale o risco", afirma.

"É justamente por isso que o câmbio merece atenção especial. Um Fed mais restritivo tende a aumentar a atratividade dos ativos denominados em dólar e pode exercer pressão sobre moedas emergentes. Para o Brasil, isso importa duas vezes: primeiro pelo fluxo de capital e depois pela inflação importada. Uma depreciação mais persistente do real encarece produtos e insumos dolarizados e pode reduzir a liberdade do Copom para acelerar o ciclo de cortes. Uma decisão tomada em Washington pode, portanto, alterar a velocidade da Selic em Brasília. Banco Central corta juros olhando para a inflação, mas a inflação também olha para o dólar", complementa. 

Ainda assim, Olívia recomenda que investidores não olhem para a Super Quarta como "um gatilho para grandes mudanças de portfólio", mas que fiquem atentos aos comunicados dos dois bancos centrais para entender suas sinalizações para os próximos meses. 

"Para o investidor pessoa física, portanto, a principal mensagem é diversificação e disciplina de alocação. Ainda existe remuneração muito relevante na renda fixa brasileira, enquanto a continuidade do ciclo de cortes pode abrir oportunidades em renda variável e outros ativos de risco; ao mesmo tempo, o cenário americano reforça a importância da diversificação internacional", diz.

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Fonte: Portal Terra
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