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Copom: O que esperar da reunião que vai definir os novos rumos da taxa Selic

Segundo analistas, a proximidade da eleição presidencial tende a amplificar a incerteza do cenário econômico

15 set 2026 - 05h43
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Resumo
O Copom inicia reunião com ampla expectativa do mercado por um corte de 0,25 ponto na Selic, levando-a a 13,75% ao ano, impulsionado pela desaceleração econômica e alívio inflacionário. Embora a maioria das projeções aponte essa taxa como o piso para o ano devido a incertezas eleitorais, tensões no petróleo e o fenômeno El Niño, analistas se dividem: enquanto alguns preveem cautela e fim do ciclo de quedas, outros defendem espaço para novos cortes até dezembro diante da perda de fôlego da atividade.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne a partir desta terça-feira, 14, para definir a nova taxa básica de juros do País. De acordo com 75 das 78 instituições ouvidas pelo Projeções Broadcast, o resultado a ser divulgado no final da tarde de quarta-feira deve ser um novo corte de 0,25 ponto porcentual, o que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Três instituições projetam a manutenção dos juros no patamar atual.

De acordo com economistas, um alívio inflacionário no curto prazo e evidências mais firmes de desaceleração da atividade econômica amparam essa aposta de corte em setembro. A dúvida, porém, reside nos próximos passos do Comitê.

A expectativa é que o Banco Central mantenha a comunicação sem sinalizações futuras, deixando a porta aberta para manejar a taxa ao sabor dos novos dados que aparecerem. Para além da reunião de setembro, analistas consideram que a proximidade da eleição presidencial tende a amplificar a incerteza do cenário econômico. Na conta, o comportamento da taxa de câmbio e do petróleo - que se mantém resistente em US$ 100 com novas tensões no Oriente Médio - será fundamental para os próximos passos da autoridade monetária.

Há, ainda, a chegada do super El Niño no fim do ano, que pode gerar impactos indiretos, de segunda ordem, que preocupam o Banco Central.

Sede do Banco Central, em Brasília
Sede do Banco Central, em Brasília
Foto: Dida Sampaio/Estadão / Estadão

A mediana da pesquisa, porém, indica a Selic em 13,75% ao fim de 2026, sugerindo que o corte em setembro deve ser, por ora, o último do ano. Essa é também a estimativa intermediária da última pesquisa Focus, do Banco Central.

Para o economista-chefe da G5 Partners, Luis Otávio Leal, a dinâmica mais fraca da atividade dá conforto para a continuidade da calibração no juro em setembro. "Foi um PIB do segundo trimestre com consumo das famílias negativo e indústria e serviços mais fracos em julho. São dados recentes que dão espaço para essa redução", afirma.

Apesar do alívio tanto via atividade quanto via inflação, diz, a expectativa é de que este corte seja o último e a incerteza quanto ao próximo governo é o argumento mais forte para ditar a condução dos juros. "O BC precisa ser mais conservador. São decisões de agora que terão impacto em 2027, sem saber, por ora, quais serão as regras da política econômica no ano que vem, além do cenário externo desafiador", afirma.

Mas há no mercado quem acredite que ha espaço para novos cortes ainda este ano. O economista-chefe do Banco Bmg, Flavio Serrano, considera que o corte de 0,25 ponto na reunião de setembro "já está dado" e não há expectativas de surpresas por parte do Comitê. Mas, segundo ele, a desaceleração da atividade econômica elevou as chances de mais uma redução em novembro, o que levaria a Selic a 13,5% ao fim de 2026.

"O desafio para o Copom está na reunião de dezembro, para entender de maneira mais clara os efeitos do choque do El Niño", destaca Serrano. Para ele, o evento climático também pode ser responsável por algum aumento marginal nas expectativas de inflação para 2027 apuradas no Boletim Focus. O alerta, diz, fica para o espraiamento e persistência do choque.

Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, considera que as evidências de desaceleração da atividade e da inflação vieram antes que o previsto e permitirão ao colegiado seguir com cortes na Selic até dezembro, atingindo o nível de 13,25% ao ano. A perspectiva, porém, é de inflação mais pressionada no fim de 2026.

Segundo o economista, a desaceleração da atividade vem se tornando mais disseminada e, por isso, abre espaço para a continuidade dos ajustes. "A perda de fôlego da economia aparece justamente em segmentos mais sensíveis ao ciclo e, portanto, tende a reforçar a estratégia de cortes pequenos e consecutivos", afirma. Ele ainda nota que o estímulo fiscal não tem sido satisfatório em impulsionar a demanda, em meio ao elevado endividamento das famílias e das empresas.

Estadão
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