A australiana St George Mining e o grupo brasileiro Lima & Pergher fecharam um acordo para construir um centro de processamento de terras raras de R$ 2 bilhões em Uberlândia (MG). Previsto para operar até 2030, o polo terá capacidade para 50 mil toneladas anuais, agregando valor à produção mineral e suprindo um gargalo no refino nacional. Apoiado pelo governo estadual, o projeto deve gerar 500 empregos e fornecer insumos essenciais para setores de alta tecnologia, como veículos elétricos e energia eólica.
A mineradora australiana St George Mining assinou nesta quarta-feira um protocolo de intenções com o grupo brasileiro Lima & Pergher para desenvolver em conjunto um centro de separação e processamento de terras raras em Uberlândia (MG), em um projeto estimado em R$2 bilhões, disseram executivos à Reuters.
A unidade deverá ser instalada no complexo industrial da START, divisão química e industrial do Grupo Lima & Pergher, e tem previsão de iniciar operação até 2030, após estudos de viabilidade técnica e econômica.
O processamento de terras raras é do interesse do Estado brasileiro, com autoridades defendendo que o país com a segunda reserva global desses minerais após a China não exporte apenas as matérias-primas, mas agregue valor em uma indústria estratégica para segmentos de alta tecnologia.
"Cada vez que falamos sobre terras raras existe uma lacuna no refino. É essa lacuna que estamos tentando preencher", disse o presidente da St George no Brasil, Thiago Amaral, em entrevista durante evento do setor em Belo Horizonte.
Executivos da St George afirmaram ainda que o objetivo é criar no Brasil uma etapa industrial hoje considerada um gargalo para o desenvolvimento do setor.
Os percentuais de participação e os valores a serem investidos por cada sócio ainda não foram definidos.
"O plano é desenhar o projeto em conjunto e depois definir qual será o investimento de cada parte", afirmou o presidente-executivo da St George, John Prineas, no congresso de mineração Exposibram.
A expectativa é que o centro seja concebido para processar carbonatos de terras raras a serem produzidos pelo projeto Araxá, da própria St George, em Araxá (MG), além de material potencialmente fornecido por outras mineradoras.
Segundo executivos da companhia, a expectativa é que a instalação industrial tenha capacidade para processar cerca de 50 mil toneladas de carbonato por ano, por volta de 2030, enquanto a St George prevê iniciar a operação comercial em 2029, com capacidade para produzir 30 mil toneladas de carbonato por ano.
O projeto prevê inicialmente a separação química dos concentrados de terras raras para a produção de materiais como óxidos de lantânio e cério, além de óxidos magnéticos e elementos pesados de maior valor agregado.
Em etapas futuras, os produtos poderão abastecer fabricantes de ímãs, indústrias consumidoras ou mercados de exportação, explicou Amaral.
A St George contribuirá com conhecimento técnico e com matéria-prima de Araxá, enquanto a START aportará expertise em processamento químico, infraestrutura industrial e a área onde a planta será instalada.
A iniciativa conta ainda com apoio do governo de Minas Gerais, por meio da Invest Minas e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado, que auxiliarão nos processos de licenciamento, articulação com fornecedores e avaliação de incentivos fiscais, disseram executivos.
Segundo a empresa, o projeto poderá gerar cerca de 500 empregos.
O anúncio ocorre em meio ao crescente interesse de governos e empresas por cadeias alternativas de suprimento de terras raras, grupo de minerais essenciais para a produção de ímãs permanentes usados em veículos elétricos, turbinas eólicas e equipamentos eletrônicos.