A St George Mining está pronta para avançar com a estruturação financeira de seu projeto de mineração de terras raras e nióbio em Araxá (MG), com estimativas iniciais de investimentos de US$350 milhões, após sondagens elevarem o grau de confiabilidade de suas reservas, disse o diretor-geral no Brasil à Reuters.
Segundo Thiago Amaral, o projeto ganha ainda mais relevância diante da escalada de conflitos no Oriente Médio com a participação dos Estados Unidos, já que as terras raras são essenciais para a indústria de defesa global e a produção e o processamento desses minerais são hoje amplamente dominados pela China.
"O mercado que tem sido altamente demandante desses elementos é o mercado de defesa. E a cada vez que a gente percebe essa instabilidade, isso gera tanto uma demanda como um interesse, uma visão de urgência para que essa cadeia mais robusta para esses elementos críticos seja desenvolvida", afirmou Amaral.
As sondagens identificaram um aumento de 75% na estimativa de volume de terras raras do Projeto Araxá, que agora soma 70,91 milhões de toneladas, com 4,06% de terras raras e 0,62% de nióbio.
Outras sondagens ainda estão em desenvolvimento, mas os resultados atuais já trouxeram maior clareza sobre o projeto.
"Na nossa visão, esse volume indicado traz o potencial de realmente iniciar a mina, o volume destrava qualquer dúvida sobre as questões econômicas", disse Amaral. "Agora a gente consegue apresentar as opções para estudar como nós vamos financiar a etapa de construção da planta."
Segundo o executivo, a companhia avalia diferentes alternativas de financiamento, com prioridade para acordos de vendas antecipadas ("off-take") com potenciais clientes, em um passo que evitaria a diluição dos atuais acionistas e captaria recursos a custos mais baixos.
Mas Amaral afirmou que a empresa também está em conversas com instituições financeiras sobre a possibilidade de contratação de linhas de crédito e com governos e empresas que têm interesse em entrar como sócios.
A empresa mantém conversas com representantes dos Estados Unidos e União Europeia, que poderiam apoiar o projeto.
"A gente pretende ter (alguns) desses acordos fechados até o fim do ano para sustentar, inclusive, o início da construção que seria para o ano que vem", afirmou Amaral.
A estimativa inicial de investimento é de cerca de US$350 milhões, valor que será detalhado conforme avançam os estudos de engenharia.
A expectativa da St George Mining é iniciar a produção comercial em 2028, com 5 mil toneladas de ferro-nióbio. Já em 2029, iniciaria a produção de produtos de terras raras, com volume de cerca de 15 mil toneladas por ano.
O projeto já conta com acordos de off-take iniciais com siderúrgicas chinesas e a empresa norte-americana REAlloys interessada em até 40% da produção de terras raras.
O Projeto Araxá está localizado ao lado das operações de nióbio da CBMM, líder global do setor.
A St George também já obteve um regime fiscal preferencial do governo do Estado de Minas Gerais com vistas a reduzir custos do desenvolvimento de seu projeto.
Antes de iniciar a produção, a empresa planeja operar uma planta piloto, a partir de uma parceria com o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), produzindo inicialmente de 1 a 2 toneladas anuais de produtos de terras raras e nióbio para testes e validação com clientes, com início previsto para o fim deste ano, dependendo de licença.