Três autoridades do Banco Central Europeu alertaram nesta quinta-feira que a inflação na zona do euro provavelmente aumentará e o crescimento diminuirá se a guerra no Irã se prolongar e envolver mais países.
Conforme a guerra entre os Estados Unidos e o Irã entra em seu sexto dia, o conflito se alastrou para além dos países do Golfo e chegou à Ásia, causando turbulência nos mercados globais e levantando questões sobre as perspectivas positivas do BCE para a zona do euro.
O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, e os presidentes dos bancos centrais da Alemanha e da Finlândia afirmaram que ainda é muito cedo para tirar conclusões, mas alertaram que uma guerra prolongada e mais ampla pode elevar a inflação, tanto atual quanto esperada.
"O cenário básico é que isso será de curta duração", disse de Guindos em um evento em Bruxelas. "Se for mais longo, há o risco de que as expectativas de inflação mudem."
O BCE foi afetado por um aumento da inflação impulsionado pela energia após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, que inicialmente considerou temporário antes de aumentar rapidamente os juros.
Isso provavelmente deixará algumas autoridades mais cautelosas desta vez.
"Não acho que devemos ser excessivamente otimistas (quanto a uma resolução rápida do conflito)", disse o presidente do banco central finlandês, Olli Rehn, no mesmo evento, observando que já houve "uma escalada considerável".
Assim como Rehn, o presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, disse que um conflito prolongado elevará a inflação e prejudicará o crescimento.
"Se o conflito chegar a um fim rápido... as consequências para a inflação seriam de curto prazo e limitadas em geral", disse Nagel em um discurso.
"Por outro lado, se os preços da energia permanecerem elevados por um longo período, isso tenderia a levar a uma inflação mais alta e a uma atividade econômica mais fraca na zona do euro."
Este seria um cenário complicada para os bancos centrais, uma vez que um crescimento mais rápido dos preços exigiria juros mais elevados, mas um crescimento lento exigiria o contrário.
A próxima reunião de política monetária do BCE está marcada para 18 e 19 de março, sem que se preveja qualquer alteração nas taxas de juro.