Sachsida vê janela de 6 meses para novo governo corrigir política fiscal

Segundo ex-ministro, 'boa vontade' do mercado deve acontecer independentemente do vencedor, criando um ambiente temporariamente favorável para medidas de ajuste

29 set 2026 - 10h18
Resumo
O ex-ministro Adolfo Sachsida afirmou que o próximo presidente terá apenas os seis primeiros meses de mandato para ajustar as contas públicas e garantir a confiança do mercado. Segundo ele, reformas e consolidação fiscal nesse período inicial podem recolocar o País na rota do crescimento em até 18 meses. Por outro lado, Sachsida alertou que adiar as medidas fiscais provocará alta de juros, dificultará a rolagem da dívida pública e poderá mergulhar o Brasil em uma grave crise no médio prazo.

O ex-ministro Adolfo Sachsida, um dos formuladores do programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, disse nesta terça-feira, 29, que o próximo governo terá no primeiro semestre uma janela decisiva para avançar na agenda fiscal. Se aproveitar esse período para consolidar as contas públicas, emendou, a reação do mercado será positiva, e o País deve "decolar".

"Quem for eleito vai receber seis meses de benesse da dúvida", disse Sachsida, avaliando que, nos seis primeiros meses do novo governo, os investidores e agentes econômicos devem conceder um voto de confiança.

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Segundo Sachsida, essa "boa vontade" do mercado deve acontecer independentemente do vencedor, criando um ambiente temporariamente favorável para medidas de ajuste. Para ele, o risco é o governo adiar as medidas fiscais.

Adolfo Sachsida, um dos formuladores do programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro
Adolfo Sachsida, um dos formuladores do programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro
Foto: Alex Silva/Estadão / Estadão

Durante seminário do Lide, Sachsida, que também foi secretário de Política Econômica de Paulo Guedes no Ministério da Economia no governo de Jair Bolsonaro, sustentou que o presidente precisará de clareza de rumo e firmeza política. "É importante que quem for eleito tenha convicção do que vai fazer", afirmou o economista, ponderando que a tolerância do mercado tende a diminuir rapidamente na falta de consolidação fiscal.

"No primeiro semestre de 2027, eu acho que vai haver boa vontade com quem for eleito. Mas o segundo semestre de 2027 não vai ter isso não", avaliou. Ele alertou que, se desperdiçar a janela inicial, o novo governo terá um segundo semestre muito ruim.

"Assim que nós resolvermos o lado fiscal, esse País vai decolar", disse Sachsida. Na visão dele, é possível consertar e recolocar o País no caminho da prosperidade em 18 meses, contando com a atração do capital externo a partir da combinação de reformas pró-mercado e consolidação das contas públicas. "Então, em 18 meses, o Brasil tem um encontro com seu destino. Ou nós vamos decolar, ou vamos voltar para uma tremenda de uma crise daqui a 1 ano e meio."

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Por outro lado, ele alertou para a deterioração das condições financeiras caso não haja correção da política fiscal. Se o governo não aproveitar os primeiros seis meses de "boa vontade" para aprovar reformas e consolidar as contas públicas, ressaltou, as taxas de juros vão subir, tornando mais difícil rolar a dívida pública e elevando o risco de uma crise no horizonte de um ano e meio.

"Juros de 14% ao ano significam que a dívida do Brasil dobra em seis anos. Esse é o número. Você vai dobrar a sua dívida em seis anos. Nenhum país aguenta isso", afirmou o ex-ministro.

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