A Roche lançou nesta segunda-feira seu equipamento de sequenciamento genético de última geração, marcando uma tentativa da farmacêutica e grupo de diagnósticos suíço de enfraquecer o domínio da Illumina, sediada nos Estados Unidos, sobre a tecnologia de testes genéticos e pesquisa.
A Roche informou que está lançando a máquina de sequenciamento genético Axelios inicialmente em instalações voltadas para pesquisa específica, pois deseja que os pesquisadores adotem e desenvolvam aplicações para a nova tecnologia antes de passar para as versões clínicas.
A empresa tentou, sem sucesso, adquirir a Illumina em uma oferta hostil de US$6,8 bilhões há mais de uma década.
Desde então, a Roche vem expandindo sua presença no mercado de sequenciamento genético, avaliado em US$7,3 bilhões, por meio de parcerias e investimentos em equipamentos de última geração que decodificam o DNA e o ácido ribonucleico (RNA) para aplicações que incluem pesquisa médica, detecção de doenças e desenvolvimento de medicamentos.
Diferentemente dos sistemas tradicionais de sequenciamento de leitura curta, a Roche afirma que seu equipamento Axelios converte o DNA ou o RNA em moléculas mais longas, que são mais fáceis de ler, e depois as faz passar por minúsculos poros em um chip reutilizável para gerar dados genéticos que podem ser analisados quase em tempo real.
DÚVIDAS SOBRE UMA ADOÇÃO MAIS AMPLA
A Roche espera vender cerca de 100 máquinas Axelios no primeiro ano e espera que isso estabeleça as bases para uma linha de produtos de grande sucesso, gerando mais de 1 bilhão de francos suíços (US$1,1 bilhão) em vendas anuais no longo prazo — o que, segundo analistas, é amplamente viável.
As máquinas NovaSeq X da Illumina custam entre aproximadamente US$985.000 e US$1,25 milhão, enquanto o Axelios da Roche custa US$750.000 nos Estados Unidos.
Analistas afirmaram que a Roche enfrentaria uma longa batalha para desafiar a Illumina, que, segundo suas estimativas, domina 70% do mercado. Eles questionaram se a nova tecnologia seria amplamente adotada após testes em ambientes de pesquisa.
O Centro de Genômica Funcional de Zurique, que trabalha em parceria com o Hospital Universitário de Zurique, possui seis sequenciadores da Illumina e um da Element Biosciences.
Catharine Aquino, chefe das unidades de genômica do centro, disse que laboratórios maiores, como o deles, provavelmente testariam o equipamento da Roche em paralelo aos dispositivos existentes antes de decidir se transfeririam os projetos para ele.
Grande parte do mercado vai aguardar o feedback dos primeiros usuários antes de fazer a mudança, disse ela.