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Governo lança Desenrola Adimplentes para tentar reduzir prestações de quem paga dívidas em dia

Programa quer renegociar dívidas de trabalhadores informais, com juros de até 1,99%, e financiamentos de até R$ 15 mil

29 jun 2026 - 11h29

BRASÍLIA - O governo Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta segunda-feira, 29, a nova fase do programa Desenrola, voltado para pessoas adimplentes, ou seja, que estão com as contas em dia. O objetivo é tentar aliviar o peso das prestações, com redução das taxas de juros cobradas nos financiamentos com valor até R$ 15 mil.

A primeira fase do programa Desenrola era voltada para brasileiros inadimplentes — com dívidas em atraso — e atingiu um público superior a 7 milhões de pessoas, segundo a equipe econômica.

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"O programa Desenrola para inadimplentes já teve 7,5 milhões de pessoas beneficiadas. Essas pessoas agora podem pagar suas contas em dia", afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante a cerimônia no Palácio do Planalto.

Lula durante lançamento do programa Desenrola; equipe econômica anunciou nova fase voltada para quem paga as contas em dia
Lula durante lançamento do programa Desenrola; equipe econômica anunciou nova fase voltada para quem paga as contas em dia
Foto: Wilton Junior/Estadão / Estadão

Além de Durigan, também participam do evento o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, além de outras autoridades.

Segundo Durigan, as novas taxas terão teto de juros de 1,99% ao mês, e os trabalhadores poderão alongar as dívidas, que terão como garantia recursos do Fundo Garantidor de Operações (FGO).

O desenho do programa visa atender trabalhadores sem vínculo formal de trabalho — ou seja, excluindo celetistas e servidores públicos, além de estudantes que aderiram ao programa Fies.

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"O foco é o trabalhador sem carteira assinada, é o informal que é bom pagador. Ele está pagando as contas em dia, com juros que variam de 6% a 12% ao mês. Agora, ele terá taxa de juros de até 1,99% ao mês", afirmou Durigan.

O trabalhador terá que ter pago pelo menos quatro parcelas das prestações e não estar atrasado em até 90 dias.

"Ele vai tomar uma nova operação, podendo aumentar o prazo, para que caiba melhor no bolso. Vai poder tomar crédito nesse patamar de 1,99%, com novo volume, mas desde que a prestação total não passe de 90% do que ele tinha antes", explicou o ministro.

Segundo o advogado especialista em direito do consumidor Stefano Ribeiro Ferri, o programa pode dar um alívio temporário, mas sem atacar as causas estruturais do problema.

"O endividamento das famílias é um fenômeno complexo, que envolve fatores como renda, custo de vida, acesso à informação financeira e oferta de crédito. Programas de renegociação podem aliviar sintomas importantes, mas dificilmente resolvem as causas estruturais do problema", afirmou.

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Desenrola inadimplentes mirou quatro públicos

O Desenrola Adimplentes é a quinta versão do programa. Anteriormente, o governo já havia anunciado quatro edições, mas sempre para quem estava com contas em atraso: famílias, estudantes do Fies, empresas e trabalhadores rurais.

O Desenrola Famílias tem como foco pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105), com dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 91 dias e dois anos. Só podem ser renegociadas dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).

O Desenrola Fies atinge o público de estudantes com débitos vencidos e não pagos até 4 de maio de 2026 junto ao Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

O Desenrola Empresas mira as microempresas e pequenos negócios com o objetivo de trocar dívidas mais caras por crédito com melhores condições, por meio do Procred360 e Pronampe. Já o Desenrola Rural ajuda agricultores familiares, assentados da reforma agrária, quilombolas e comunidades tradicionais.

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Dúvidas sobre adesão de instituições financeiras

No mercado financeiro, há dúvidas sobre a adesão de instituições financeiras ao programa. Uma pessoa que acompanha o tema destaca que, como o universo que pode ser beneficiado pelo Desenrola para adimplentes é relativamente pequeno, os bancos podem ser menos propensos a participar.

Os custos operacionais com treinamento de funcionários e sistema, por exemplo, já poderiam inviabilizar essas renegociações.

As instituições financeiras brasileiras também estão, neste momento, comprometidas com uma série de iniciativas que já drenam tempo e recursos, como o split payment da reforma tributária, a implementação da duplicata escritural eletrônica, o Novo Desenrola para inadimplentes e o Move Brasil.

Há também preocupações com a segurança jurídica de um novo programa como esse. Segundo uma fonte, as bases de dados dos bancos podem ser insuficientes para avaliar se um devedor tem ou não algum vínculo formal de trabalho. Se o governo adotar penalidades para renegociações que não respeitem esse critério, pode acabar desestimulando as IFs a participar do programa, diz essa pessoa.

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