A robótica está cada vez mais perto da realidade e longe da ficção científica. Com os avanços da inteligência artificial (IA) generativa, os robôs estão em desenvolvimento e poderão estar não só nas empresas como presentes em ambientes cotidianos e até na sua casa. O avanço tecnológico foi tema de um painel da Accenture na Rio Innovation Week, conferência de inovação que o Píer Mauá recebe nesta semana.
De acordo com Eco Moliterno, chief creative officer na Accenture, a IA traz possibilidades quase ilimitadas para inovação e crescimento, mas vai desafiar a credibilidade das empresas. "O que norteia a relação é a confiança, ou a desconfiança", diz.
Para ele, a chegada dos agentes de IA com a robótica muda a forma como as indústrias pensavam em tecnologia. "Estamos saindo da era da automação para a da autonomia. São significados opostos. A automação tem um humano no comando, que coloca sistemas para otimizar processos. Na autonomia, é o contrário. Os processos precisam ser centrados nas pessoas e daremos autonomia para as máquinas fazerem as coisas por conta própria", diz.
Moliterno acredita que a curva de adoção da IA será diferente em cada setor. Em hotelaria, por exemplo, vê uma adoção lenta devido ao desejo dos viajantes de se conectar com moradores e com a cultura local. Por outro lado, vê aceleração maior em áreas ligadas à informação e à educação.
O executivo apresentou uma pesquisa da Accenture que mostra que os consumidores estão cada vez mais dispostos a confiar em agentes de IA para realizar tarefas e tomar decisões. Segundo o levantamento, 85% aceitam colaborar com chatbots durante a jornada de compra, 74% permitiriam que a IA executasse tarefas em seu nome, 32% delegariam decisões de compra e 9% já se mostram confortáveis em deixar que a inteligência artificial faça compras de forma autônoma, desde que dentro de limites previamente definidos pelo usuário.
Renate Fuchs, diretora executiva na Accenture, lembra que é de 1920 a origem da palavra robô, usada numa peça de teatro tcheca, chamada Rossum's Universal Robots, de Karel Capek. "A história da peça é sobre seres humanos que criaram uma fábrica com seres artificiais que trabalhavam para eles. Em algum momento, adquiriram consciência e acabam com a humanidade, criando no fim um mundo mais humanizado e justo", conta.
Renate cita que a Amazon já tem mais de 1 milhão de robôs funcionando em seus centros de distribuição para lidar com a gestão de estoque e envio de compras feitas via internet, reforçando que a robótica já está inserida na economia - seja nos bastidores dos negócios, seja nos carros autônomos da Waymo, que transportam passageiros em ruas do Estado da Califórnia, nos EUA.
"Não é só sobre aplicar os robôs, mas como fazer a orquestração das fábricas. Vemos muita aplicação em setores mais regulados, como em energia. A robótica não é mais sobre programação. Nós treinamos os robôs de forma diferente, com nossos movimentos. Podemos testar esses robôs em gêmeos digitais, sem precisar treiná-los no mundo físico. Podemos simular antes de executar, pensar na orquestração e botar para funcionar", diz a diretora-executiva. "Vemos empresas fazendo investimentos importantes em robótica porque a IA traz muito mais valor a eles agora. É como se fosse o momento GPT para os robôs."
Ela alerta, porém, que entre as principais tendências para a robótica (autonomia, integração, robôs como aliados, confiabilidade e proteção), a confiança e a proteção são os itens mais importantes ao levar a IA para o mundo físico operando um ser robótico. "É preciso saber quais dados vão para o robô, o que ele vê dentro da sua casa, para onde os dados vão, se ele vai quebrar alguma coisa ou machucar alguém", afirma.