Quem é Antonio Carlos Freixo Junior, CEO da Entrepay, empresa liquidada pelo Banco Central

Conhecido como Mineiro, Freixo trabalhou em diversas instituições financeiras antes de fundar o Grupo Entre, dono da Entrepay, em 2016. Grupo Entre afirmou que vinha conduzindo um processo de descontinuação das operações dessas sociedades; a defesa do executivo não foi localizada

27 mar 2026 - 11h47
(atualizado às 12h16)

O CEO da Entrepay, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como "Mineiro", teve a indisponibilidade de bens decretada pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira, 27, após a autarquia decretar a liquidação extrajudicial do conglomerado.

"A liquidação extrajudicial foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição líder do conglomerado, bem como por infringência às normas que disciplinam sua atividade e por prejuízos que sujeitam a risco anormal seus credores", afirmou o BC, por meio de nota.

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A medida afetou as três instituições integrantes do conglomerado: Entrepay Instituição de Pagamento S.A., Acqio Adquirência Instituição de Pagamento S.A. e Octa Sociedade de Crédito Direto S.A.

O Grupo Entre, controlador do conglomerado da Entrepay, afirmou em nota enviada ao Estadão que vinha conduzindo, de forma estruturada, um processo de descontinuação das operações dessas sociedades, no contexto de uma "revisão estratégica de seu portfólio de negócios", com foco na transição ordenada das atividades, no cumprimento das obrigações assumidas e na preservação da continuidade operacional durante o período.

"O Grupo Entre reafirma seu compromisso com a colaboração integral com as autoridades competentes, prestando todos os esclarecimentos necessários e acompanhando os desdobramentos do processo de liquidação dentro dos canais institucionais apropriados, de forma também a mitigar impactos a clientes, parceiros e demais públicos relacionados", disse a empresa, acrescentando que os demais negócios do grupo seguem em operação normal.

A defesa de Freixo não foi localizada pelo Estadão. O espaço segue aberto.

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O fundador e CEO do Grupo Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior.
O fundador e CEO do Grupo Entre, Antônio Carlos Freixo Júnior.
Foto: Divulgação/Grupo Entre / Estadão

Freixo estudou Administração de Empresas no Centro Universitário Armando Alvares Penteado (FAAP). Em seu perfil no LinkedIn, ele afirma ter entrado no mercado de trabalho em 1983, como operador de crédito rural, no extinto Banco Nacional.

O executivo diz ter passado por vários cargos em diferentes instituições financeiras, como Banco do Brasil, Banco Garantia e Credit Suisse.

Em 2016, ele fundou o Grupo Entre, com foco em meios de pagamentos, serviços digitais agregados e soluções financeiras. Em seu site, a empresa afirma ter mais de 100 clientes e R$ 1,3 bilhão em fundos de investimentos.

Em 2022, Freixo criou a Entrepay, com foco em meios de pagamento, após a aquisição da Global Payments. O conglomerado da Entrepay é de pequeno porte. Em dezembro de 2025, detinha cerca de 0,009% do ativo total do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

No mesmo ano, Freixo venceu o leilão de recuperação judicial dos títulos online da Editora Três por R$ 15 milhões. Com isso, ele passou a controlar os portais IstoÉ e IstoÉ Dinheiro. O Grupo Entre também é dono da plataforma Ola Podcast e das companhias Pmovil e VitalLink.

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As autoridades brasileiras suspeitam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que era dono do extinto Banco Master, seria "dono oculto" da Entrepay. Segundo fontes ouvidas pelo Estadão, Freixo é visto nos bastidores como um operador que usava a infraestrutura do conglomerado em benefício de Vorcaro. As suspeitas são de que as relações de Vorcaro com a Entrepay seguiam o mesmo modelo das ligações entre o Master e a Reag Investimentos.

Freixo foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF), que investigava as relações entre o Master e a Reag. Ele também foi acusado, ao lado de Vorcaro, em um processo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que apura irregularidades na emissão e distribuição de cotas de fundos de investimento fechados. Em dezembro, a CVM rejeitou uma proposta de acordo para encerrar o processo.

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