Pressão de reajuste do diesel sobre Petrobras deve aumentar com disparada do petróleo, diz entidade

Com petróleo perto dos US$ 80 o barril, defasagem do diesel atingiu 23%, e a da gasolina, 17% nas refinarias da estatal; Brasil é dependente da importação dos derivados

2 mar 2026 - 11h14

RIO - A disparada do petróleo, provocada pelo risco de bloqueio no Estreito de Hormuz após os ataques ao Irã no final de semana, tem duplo efeito para o Brasil, na avaliação do presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo. Ao mesmo tempo que é positivo para as petroleiras e para a balança comercial, tem um peso forte na inflação em ano eleitoral.

Publicidade

"O Brasil não é comprador de petróleo, compra um volume muito baixo, então o Brasil não é impactado diretamente pelo fechamento do Estreito de Hormuz. No entanto, como o Brasil é dependente da importação dos derivados, e os derivados aumentam com o aumento do preço do petróleo, então o Brasil é prejudicado nesse sentido", explicou Araújo ao Estadão/Broadcast.

Segundo a entidade, com o petróleo perto dos US$ 80 o barril, a defasagem do diesel atingiu 23% na abertura desta segunda-feira, 2, e a da gasolina pulou para 17% nas refinarias da Petrobras.

Choque do petróleo deve pressionar os preços dos combustíveis
Choque do petróleo deve pressionar os preços dos combustíveis
Foto: Fabio Motta/Estadão / Estadão

Se, por um lado, a escalada da commodity vai melhorar a balança comercial e os ganhos das petroleiras, por outro, destaca Araújo, se ficar no patamar entre US$ 75 e US$ 80, como preveem especialistas, haverá pressão no preço dos derivados no mercado interno, principalmente nas regiões Norte e Nordeste, mais dependentes das refinarias privadas e das importações, explicou o executivo.

"O petróleo corresponde de 35% a 40% na nossa balança comercial. Então, aumentando o valor dessa commodity, melhora ainda mais a nossa situação na balança comercial. E, consequentemente, as petroleiras, entre elas a Petrobras, que produzem petróleo. Para elas é bom, aumenta a receita sem aumento de custo", explicou Araújo.

Publicidade

No mercado interno, porém, o choque do petróleo vai pressionar os combustíveis. Como cerca de 30% do diesel e 10% da gasolina são importados, cada avanço de 10% no Brent já abriu defasagem de 23% no diesel e 17% na gasolina frente às cotações internacionais.

A expectativa do setor é que o barril permaneça entre US$ 75 e US$ 80 enquanto persistirem as tensões, longe dos US$ 100, mas suficiente para manter a pressão sobre tarifas e inflação.

Nesse cenário, sugere Araújo, poderia ser retomada no Congresso a proposta de criar um fundo de estabilização, financiado por parte dos royalties e participações especiais do setor de petróleo, para amortecer oscilações e blindar o consumidor sem tabelar a Petrobras.

TAGS
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se