Os presidentes de países da América Latina classificaram o acordo de livre comércio entre nas nações do Mercosul e da União Europeia como um "fato histórico", "um feito de grande transcendência política e econômica" e "responsabilidade histórica com o Estado de Direito, a democracia e comércio justo". As declarações foram feitas durante a cerimônia de assinatura do tratado, neste sábado, 17, em Assunção, no Paraguai, pelos presidentes do país anfitrião, Santiago Peña, da Argentina, Javier Milei, e do Uruguai, Yamandú Orsi.
Peña destaca 'acordo histórico' e diz que Lula foi essencial
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, afirmou que a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia é um "feito histórico" e "envia um sinal claro em favor do comércio internacional como fator de cooperação e crescimento em um cenário marcado por tensões".
Peña destacou como o acordo une dois dos mercados mais importantes do mundo, Europa e América do Sul. Segundo o presidente, o pacto demonstra que o caminho do diálogo e cooperação e a fraternidade é o "único caminho". O líder ainda destacou como tal caminho "foi longo". "Levou mais de 25 anos para superarmos enormes dificuldades", ponderou.
O paraguaio ressaltou que o acordo é o "maior compromisso comercial negociado pelo Mercosul e um dos mais relevantes celebrados pela União europeia" e vai "beneficiar milhões de cidadãos que verão melhoras substanciais em suas vidas". Segundo o presidente, a assinatura é uma conquista de um entendimento que deixa para trás o "unilateralismo, desconfianças e egoísmo para abrir janelas um futuro melhor".
O presidente do Paraguai ainda acenou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lamentando sua ausência no evento. Segundo Peña, sem Lula o bloco não haveria chegado a "este dia".
"Lula foi um dos impulsores fundamentais deste processo. Em seu nome saúdo a todos os líderes e visionários do Mercosul que apostaram na integração no século 21 para deixar atrás a história de conflito que marcou o continente em épocas anteriores", frisou.
Milei: acordo não constitui ponto de chegada, mas de partida
O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou que a assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia não é um "ponto de chegada", mas um "ponto de partida". Segundo o chefe de Estado, o pacto é de "um feito de grande transcendência política e econômica", "possivelmente a maior conquista" do Mercosul desde sua criação "e resultado de uma decisão estratégica que Argentina contribuiu a impulsionar em sua presidência no ano passado".
Milei defendeu também que é "fundamental que na etapa de implementação se preserve o espírito do negociado". "A incorporação de mecanismos que restrinjam esse acesso, como salvaguardas ou medidas equivalentes, reduzirá significativamente o impacto econômico do acordo e atentará contra o objetivo essencial do mesmo. Temos que velar em nossos parlamentos para que isso não ocorra", registrou.
O presidente da Argentina sustentou também que o "fechamento e protecionismo, amparado pela retórica em lugar dos resultados, são as causas do estancamento econômico". Segundo ele, a liberdade e a interação internacional são caminho para Argentina e Mercosul mais prósperos.
Milei ainda aproveitou o discurso para elogiar a ação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Venezuela. "Valorizamos a decisão e a determinação, indicou após se referir ao ex-presidente capturado Nicolás Maduro como narcoterrorista e ditador A ponderação ocorreu após o presidente sustentar que o "movimento em direção a liberdade e comércio é a base de qualquer integração genuína". Segundo ele, quando há erosão de instituições o resultado é o isolamento, empobrecimento e perda de liberdade. "A situação da Venezuela é amostra disso", indicou.
Orsi: acordo reafirma decisão de apostar nas regras em tempos de volatilidade
O presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, destacou que o acordo entre União Europeia e Mercosul, que será assinado nesta tarde, diz "mais que qualquer declaração". "Que acreditamos nos consensos duradouros, nas instituições e que seguimos construindo ordem internacional baseada em regras, previsibilidade e cooperação", afirmou.
Orsi ponderou que, com o acordo, se assume "responsabilidade histórica com o Estado de Direito, a democracia e comércio justo". No início de seu discurso chegou a ponderar que alguns pactos "se assinam em condições ideais e outros quando as circunstâncias exigem".
"Em mundo atravessado por tensões e erosão de certezas, o acordo tem uma relevância particular. Não só porque constitui a maior área de livre-comércio do mundo, mas porque reafirma decisão clara. Apostar pelas regras em tempo de volatilidade e mudanças permanentes", frisou.
Ainda de acordo com o presidente do Uruguai, o pacto passa a mensagem de que o acordo expressa aspiração central de inserção internacional. "Para nós, ser sustentável é ser previsível; e ser previsível é ser confiável", destacou ainda, explicando que o acordo "também fortalece diálogo político baseado na democracia e nos direitos humanos".