Preços ao produtor no Brasil voltam a subir sob impacto de guerra no Oriente Médio

29 abr 2026 - 09h41

Os preços ao produtor no Brasil subiram 2,37% ‌em março, deixando para trás a queda de 0,16% de fevereiro, impulsionados pelo maior aumento em cerca de cinco anos dos preços da indústria extrativa, e sob o impacto do conflito no Oriente Médio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

No acumulado em 12 meses, ⁠o Índice de Preços ao Produtor (IPP) ainda registra queda, de 1,54%, mas ‌essa é a menor taxa de deflação desde setembro de 2025.

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"Essa alta pode ser explicada, em grande parte, pelo contexto de maior instabilidade ‌no cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, cujos ‌conflitos tiveram início no final de fevereiro, mas que se ⁠intensificaram durante o mês de março e fizeram com que preços mais altos fossem observados em 18 dos 24 setores analisados na pesquisa", disse Murilo Alvim, gerente do IPP, em nota.

A guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã vem elevando os preços do petróleo diante do ‌fechamento do Estreito de Ormuz e provocando repercussões mundiais nos preços, sem perspectiva ‌de resolução em breve.

O ⁠Banco Central anuncia ⁠sua decisão de política monetária nesta quarta-feira, com expectativa de corte de 0,25 ponto ⁠percentual na taxa básica de juros ‌Selic, atualmente em 14,75%, depois ‌de pregar cautela diante do conflito.

Em março, a indústria extrativa apresentou alta de 18,65% nos preços, a maior desde fevereiro de 2021, e foi responsável por 0,81 ponto percentual do resultado geral do ⁠IPP.

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"Essa alta foi puxada, principalmente, pelos maiores preços dos óleos brutos de petróleo, já que as tensões geopolíticas têm impactado a oferta global da commodity, que também está com seu escoamento dificultado pelas restrições de navegação no Estreito de Ormuz", disse Alvim.

O ‌IBGE também destacou os avanços dos preços de outros produtos químicos (5,03%), refino de petróleo e biocombustíveis (4,24%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ⁠ópticos (2,50%).

Já o setor de alimentos registrou aumento de 1,90% nos preços, após 10 resultados negativos consecutivos, marcando a leitura mais elevada desde novembro de 2024 (2,18%).

"Essa variação foi puxada principalmente pelos laticínios, cujo grupo econômico teve um aumento de 9,66% no mês em um cenário de menor oferta de leite in natura no mercado, combinado com um custo de produção que vem se mantendo em patamares elevados. Além dos laticínios, vale mencionar os preços das carnes e dos açúcares", disse o gerente do IBGE.

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O IPP mede a variação dos preços de produtos na "porta da fábrica", isto é, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação.

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