RIO - A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse nesta quinta-feira, 18, que está mudando a cultura da companhia para que seja cada vez mais valorizada. Segundo a executiva, como estatal, "tem metade do Brasil querendo vender". Segundo ela, na sua gestão, a visão é de que o que interessa é adicionar valor à companhia.
"O que me interessa é dinheiro no bolso e quanto distribuo de lucro e dividendos", disse durante uma aula magna a uma plateia de cerca de 20 alunos do curso da IAE Paris-Sorbonne Business School, a escola de negócios da instituição francesa, desenvolvido em parceria com o Instituto de Desenvolvimento em Gestão e Projetos (IDGP Academy).
A executiva afirmou que um dos princípios da gestão é medir os gastos e, como exemplo, comparou o setor de petróleo com o de fertilizantes, ressaltando que cada área tem seu valor. "Não vou pagar salário de petroleiro que produz pré-sal para produzir fertilizantes", explicou, ressaltando que a operação na área de fertilizantes "é cara porque era mal administrada".
Magda afirmou ainda que a Petrobras tem que mostrar para o Brasil o seu valor e é muito criticada. Por isso, destacou, gosta de divulgar que paga tributos elevados que ajudam o País. "Eu pago R$ 277 bilhões em tributos porque tem gente dizendo que a Petrobras está inadimplente. Se eu não digo isso, parece que estou devendo um bilhão para cá, um bilhão para lá", disse a executiva.
Na semana passada, o governo do Rio declarou que a Petrobras possuía uma dívida de R$ 20 bilhões, o que foi contestado pela dirigente, que classificou a acusação como "questionável" e que iria apurar com calma os fatos.
Magda afirmou que, quando encontra investidores estrangeiros, tem sido questionada sobre a sua permanência no cargo, que passou por vários presidentes nos últimos anos. Segundo ela, o segredo "é apenas conversa", que mantém com o governo, acionistas públicos e privados e fornecedores.
"Outro dia até a Faria Lima me elogiou", disse. "Mas não tem nada além de conversa, de convergir para um propósito", explicou, ressaltando que os interlocutores estão "satisfeitos" com a sua gestão.
Valor dos combustíveis é justo, diz Magda
A presidente da Petrobras disse que ainda não existe uma convergência no mercado sobre a tendência do preço do petróleo, "com alguns prevendo US$ 70, outros US$ 55" em relação ao preço do Brent, hoje em torno de US$ 77 o barril.
A executiva apontou que, apesar da queda do preço do petróleo, sua visão para o preço dos combustíveis no Brasil precisa ser de um valor justo, "que garanta meu market share".
"Só arrisco na exploração da Margem Equatorial, mas sou safe-side (lado que joga na defensiva). Quero preço (de combustíveis) que remunere acionistas e atividade. Queremos preços alinhados com o mercado internacional e que reflitam o mercado que queremos ter", disse durante a palestra.
Magda reforçou ainda que um dos objetivos da companhia é ser autossuficiente em diesel. Conforme a executiva já havia informado, os planos são de chegar a 100% do abastecimento interno do combustível até 2030.
"Vamos reduzir a importação de diesel de 29% para 15% e depois seremos autossuficientes", disse.
'Petrobras vai investir duas Eletrobras em energia de baixo carbono'
Magda ressaltou que o investimento em combustíveis e energia renováveis está crescendo mais do que fósseis em todo o mundo, mas que a sociedade, de maneira geral, não deve abrir mão do petróleo, pelo menos nas próximas duas décadas. Segundo ela, é necessário diversificar os investimentos.
"Até 2050, a Petrobras vai investir 'duas Eletrobras' em energia de baixo carbono", afirmou a executiva.
Segundo Magda, uma das medidas que ajudará a descarbonizar a Petrobras será a eletrificação das refinarias: "Nossas refinarias vão funcionar cada vez mais com energia elétrica renovável em vez de gás".