Nimofast lança plataforma para tokenizar ativos reais de energia, em busca de capital global

14 jan 2026 - 08h55

A Nimofast, que atua com comercialização e distribuição de combustíveis, está lançando uma plataforma global para tokenização de ativos reais de energia, com tecnologia da provedora de infraestrutura de blockchain Parfin, disseram executivos das empresas à Reuters.

O objetivo da iniciativa da companhia brasileira, que conta com operações no ‌Oriente Médio, é obter financiamento para seus negócios por meio da venda dos tokens e, no futuro, abrir a plataforma para parceiros da Nimofast.

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A aposta ‌surge para surfar no interesse global por alocação de capital em tokens dos "real world assets" (RWA) por parte de investidores tanto de criptomoedas quanto institucionais, podendo aproveitar uma base de pelo menos US$3 bilhões em ativos "tokenizáveis" da Nimofast, como recebíveis, inventário e bases logísticas.

A plataforma, que será aberta no futuro para parceiros do grupo de combustíveis, tem suas primeiras séries de emissões de tokens previstas para 2026 e usará infraestrutura de blockchain Rayls, desenvolvida ‍pela Parfin, que recebeu recentemente investimento da gigante de criptomoedas Tether.

A tokenização permite representar, de forma digital e estruturada, ativos do mundo real e fluxos financeiros, oferecendo segurança, rastreabilidade e transparência a potenciais investidores.

Ramon Reis, fundador e CEO da Nimofast, avalia que a tokenização é o que faltava para ampliar a financiabilidade de negócios que exigem capital de giro elevado, tanto os relacionados à importação e ‌distribuição de combustíveis, quanto de commodities no geral, incluindo as do agronegócio.

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"A ideia veio toda dessa frustração ‌de não poder ter acesso ao mercado de capitais tão facilmente...", disse Reis.

Segundo ele, há certa retração dos financiadores tradicionais, como bancos, em dar crédito ao setor em meio à alta de juros, o que tem limitado o funding. Além disso, instrumentos utilizados pelo grupo no passado, como os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), foram "penalizados" em uma mudança de regras, disse.

Com faturamento anual na casa dos US$2,5 bilhões, a Nimofast é um dos maiores importadores e distribuidores de combustíveis do Brasil. O grupo também possui base em Dubai, onde atua com trading de commodities e faz originação de cargas exportadas ao Brasil.

A Nimofast enxerga diversos ativos de seu portfólio que poderão ser tokenizados na plataforma, começando por recebíveis comerciais e financeiros, cargas e estoques, bases de distribuição, terminais e outros.

O cronograma prevê que a plataforma global começará a operar no primeiro trimestre de 2026, com o lançamento de uma primeira série de tokens de RWAs de recebíveis.

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"Tem demanda dos investidores de cripto, de 'Web3', para colocar capital em RWA. Os investidores institucionais também estão começando a olhar. Tem uma base forte em Dubai, uma série de investidores do Oriente Médio querendo olhar para esses ativos. Por isso é uma plataforma global", explicou Marcos Viriato, CEO and co-fundador da Parfin.

Reis, da Nimofast, avalia que essa descentralização do financiamento para os negócios é positiva, já que amplia o acesso a perfis de investidores que não conseguiriam investir diretamente nessas classes de ativos do mundo real.

"Estamos construindo uma base de infraestrutura de R$200 milhões no polo petroquímico de Paulínia (SP)... A gente ‌vai tokenizar essa base, então ele vai poder ter acesso a esse ativo, ser 'dono' de um ativo junto com a gente."

No futuro, a ideia é abrir a plataforma também para parceiros da Nimofast, como indústrias do agronegócio que vendem biodiesel para a empresa e compram o diesel importado.

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As empresas avaliam no momento que não serão necessárias aprovações regulatórias para distribuições privadas dos tokens, embora essa perspectiva possa mudar a depender da jurisdição das transações.

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