O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, disse que o mercado de capitais no Brasil pode surpreender a depender da atividade e do ambiente macro. Para 2026, há expectativa para ofertas subsequentes de ações de empresas já listadas na Bolsa (follow-on), mas Noronha vê pouco espaço para ofertas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) no País.
Já no exterior, há espaço para "comprar Brasil", disse ele, ressaltando que há dois IPOs brasileiros em Nova York no começo de 2026, PicPay e Agibank. "O estrangeiro está olhando para casos no Brasil e vendo que tem espaço."
"A depender do macro, o final do ano pode ser positivo no mercado de capitais", disse o executivo, em entrevista para comentar o resultado do banco. Nesse caso, segundo ele, pode haver chance para IPOs na B3.
Uma das questões que o mercado vai seguir monitorando é a situação fiscal do Brasil. "A dívida pública é um problema estrutural no País. Se houver perspectiva de equilíbrio na dívida, o cenário pode melhorar", disse.
Em relação ao desempenho do Bradesco, Noronha disse estar otimista que o banco vai crescer em 2026 "do meio para cima" no guidance (indicação de desempenho futuro) que passou para o ano. Para alguns analistas, o guidance foi "conservador". Sobre esse ponto, Noronha avalia que tem havido um equívoco na percepção dos analistas sobre a projeção do banco para a receita de prestação de serviços, que não inclui as receitas com seguros, como os outros bancos.
O Bradesco projeta avanço de 3% a 5% nas receitas com serviços. Noronha disse que a área de mercado de capitais vai continuar crescendo, assim como cartões e consórcios, além do crédito. Para seguros e previdência, a expectativa é de 6% a 8%.
"Continuamos com upside, vamos continuar entregando lucro e ROE (retorno sobre o patrimônio líquido). Na carteira de crédito, crescemos em tudo", disse Noronha. Segundo ele, o mercado entendeu que o plano de transformação do banco é "step by step", mas mesmo assim quer mais. "Investidores estrangeiros têm tido consistência com a gente."
O executivo garantiu ainda que o Bradesco não vai abrir mão dos investimentos para ganhar competitividade. O plano estratégico do banco, que vai seguir ganhando tração em 2026, tem o objetivo de aumentar a competitividade do banco, no curto e no longo prazo.
Dividendos
O Bradesco pagou R$ 14,5 bilhões em dividendos aos acionistas em 2025 e a perspectiva é pagar mais proventos em 2026, disse o diretor de relações com investidores do Bradesco, André Carvalho. Em 2024, o banco pagou R$ 11,3 bilhões em dividendos e juros sobre o capital próprio, número em linha com 2023.
No crédito, Marcelo Noronha destacou o avanço do banco no segmento de pequena e média empresa. "Reforçamos a liderança em PMEs e continuamos crescendo", disse a jornalistas, ressaltando que a participação de mercado no segmento subiu a 16,6% em setembro, de 14,9% em dezembro de 2024.
Para 2026, Carvalho ressaltou que o banco vê "tração comercial" e controle de risco de crédito. "O guidance tem implícito quase 10% de crescimento em receita em 2026."