O ministro Márcio Rosa indicou que eventuais medidas de reciprocidade do Brasil contra tarifas impostas pelos EUA dificilmente serão aplicadas neste ano, devido aos ritos do processo, podendo ficar para o próximo governo. A resposta avalia sobretaxas de até 37,5% sobre 2 mil itens brasileiros, motivadas por alegações de práticas injustas. Enquanto o governo realiza consultas internas, a prioridade segue sendo negociar uma solução diplomática antes do término de 2024.
Uma eventual decisão de impor medidas de reciprocidade sobre os Estados Unidos poderá ficar para o próximo governo, apontou nesta quarta-feira o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Rosa.
Em entrevista a jornalistas, Rosa afirmou que o protocolo para aplicação da reciprocidade segue um rito que dificilmente seria concluído antes de dezembro deste ano. No momento, o governo faz consultas internas em uma série de ministérios sobre o efeito das tarifas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros.
"Acho que não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade, mas a minha expectativa é que a gente consiga negociar e resolver, ou pelo menos aplacar minimamente as questões dos Estados Unidos, antes do final do ano", afirmou.
O país norte-americano impôs, a partir de julho, novas tarifas sobre parte das exportações brasileiras, chegando a 37,5% para alguns produtos, sob alegação de práticas comerciais injustas e de uma legislação fraca para combater o trabalho forçado, entre outras questões.
Em agosto, o governo brasileiro informou que iniciou processo de reciprocidade em relação às tarifas, que atingem cerca de 2 mil produtos brasileiros vendidos aos EUA.
Mais cedo nesta quarta, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ter esperança de que o governo possa avançar no diálogo com os Estados Unidos após as eleições presidenciais de outubro.
Rosa, no entanto, afirmou que as negociações tarifárias não estão atreladas ao período eleitoral, ao menos do lado brasileiro.