O setor varejista cobra do presidente Lula uma reaproximação com a iniciativa privada. Para Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, o diálogo deve ser uma via de mão dupla. Entre as principais demandas dos empresários estão sinais consistentes de queda na taxa Selic para aliviar dívidas e destravar vendas, além de mais prazo para aplicar a nova escala de trabalho 5x2 e para a vigência de regras da reforma tributária, medidas vistas como cruciais para a recuperação do setor.
Empresários e entidades que representam o varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um mandato de mais quatro anos a partir de janeiro de 2027, se reaproxime e abra um canal de diálogo com o setor privado.
Para o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, que defende o aprofundamento do diálogo, sobretudo por meio de associações e entidades de classe e setoriais, essa reaproximação "é um caminho de mão dupla". "Precisa ser vista como importante tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada."
Entre os pleitos do setor estão uma sinalização mais clara e consistente, da parte do governo, sobre a queda da taxa de juros, o aumento do prazo para a implantação de mudança da escala de trabalho e redução de jornada, bem como adiar a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária programada para vigorar a partir de janeiro de 2027.
Em relação à Selic, com o custo do crédito menor, segundo os empresários, será possível destravar os negócios e impulsionar as vendas, atenuando o custo de carregamento de dívidas que tem levado inúmeras varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial.
O presidente do IDV diz que pretende voltar a conversar com o governo, mostrando dados que indiquem o quanto deixar de tributar, nesse caso, é prejudicial para a indústria e o varejo nacional.
Escala 5x2
Além da volta da taxa das blusinhas, outro pleito do setor junto ao governo é obter mais prazo para a implantação da escala de trabalho 5x2 com redução de 44 para 40 horas semanais e também para a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária.
"Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso", diz Gonçalves Filho. Ele destaca que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.