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Lula precisa se reaproximar e aprofundar o diálogo com a iniciativa privada, diz Frederico Trajano

Empresários do varejo querem sinalização mais clara do novo governo sobre trajetória dos juros; setor também pede mais prazo para implantar escala 5x2 e adiamento de pontos da reforma tributária

27 out 2026 - 10h10
Resumo
O setor varejista cobra do presidente Lula uma reaproximação com a iniciativa privada. Para Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, o diálogo deve ser uma via de mão dupla. Entre as principais demandas dos empresários estão sinais consistentes de queda na taxa Selic para aliviar dívidas e destravar vendas, além de mais prazo para aplicar a nova escala de trabalho 5x2 e para a vigência de regras da reforma tributária, medidas vistas como cruciais para a recuperação do setor.

Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, diz que novo governo terá de reprogramar gastos públicos para acelerar queda dos juros
Frederico Trajano, CEO do Magazine Luiza, diz que novo governo terá de reprogramar gastos públicos para acelerar queda dos juros
Foto: Magazine Luiza/Divulgação / Estadão

Empresários e entidades que representam o varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito para um mandato de mais quatro anos a partir de janeiro de 2027, se reaproxime e abra um canal de diálogo com o setor privado.

Para o CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, que defende o aprofundamento do diálogo, sobretudo por meio de associações e entidades de classe e setoriais, essa reaproximação "é um caminho de mão dupla". "Precisa ser vista como importante tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada."

Entre os pleitos do setor estão uma sinalização mais clara e consistente, da parte do governo, sobre a queda da taxa de juros, o aumento do prazo para a implantação de mudança da escala de trabalho e redução de jornada, bem como adiar a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária programada para vigorar a partir de janeiro de 2027.

Em relação à Selic, com o custo do crédito menor, segundo os empresários, será possível destravar os negócios e impulsionar as vendas, atenuando o custo de carregamento de dívidas que tem levado inúmeras varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial.

O presidente do IDV diz que pretende voltar a conversar com o governo, mostrando dados que indiquem o quanto deixar de tributar, nesse caso, é prejudicial para a indústria e o varejo nacional.

Escala 5x2

Além da volta da taxa das blusinhas, outro pleito do setor junto ao governo é obter mais prazo para a implantação da escala de trabalho 5x2 com redução de 44 para 40 horas semanais e também para a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária.

"Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso", diz Gonçalves Filho. Ele destaca que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.

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