Após despencar 13,88% com a reeleição de Lula e a frustração das apostas do mercado em Flávio Bolsonaro, o Ibovespa futuro ensaiou acomodação com leve alta de 0,38% nesta terça-feira. A forte queda anterior refletiu o desmonte rápido de posições, mas analistas alertam que as preocupações fiscais e com a dívida pública persistem. Como resposta, o ministro da Fazenda anunciou que buscará o centro da meta fiscal para recuperar a credibilidade econômica e viabilizar a redução dos juros.
O contrato futuro do Ibovespa com vencimento mais curto mostrava acomodação com uma alta modesta nesta terça-feira, após uma forte correção negativa na véspera na esteira da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Às 09h23, o vencimento para 16 de dezembro registrava acréscimo de 0,38%, a 178.925 pontos.
O desfecho da eleição desencadeou uma forte reprecificação nos ativos brasileiros, uma vez que contrariou apostas de investidores de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível agenda econômica mais favorável ao ajuste fiscal.
O Ibovespa à vista fechou na véspera com um tombo de 13,88%, maior queda em um dia desde março de 2020, na pandemia de Covid, em pregão marcado por "circuit breaker" na abertura do pregão.
No mercado futuro, a B3 ampliou duas vezes o limite de queda dos contratos futuros do Ibovespa, entre outras medidas.
Para o responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, parte da queda da segunda-feira pode ser explicada pelo desmonte acelerado dessas posições, e não necessariamente por uma deterioração equivalente dos fundamentos econômicos.
"A preocupação estrutural, entretanto, permanece", afirmou em comentário a clientes no começo desta terça-feira, destacando que o principal desafio do novo mandato será recuperar a credibilidade fiscal.
"A trajetória da dívida pública, a rigidez das despesas obrigatórias e a necessidade de resultados primários mais consistentes continuarão limitando o espaço para a redução sustentável dos juros."
Ainda na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou ao Estadão que o governo apresentará uma proposta para que possa perseguir o centro da meta fiscal ao longo do ano, e não mais o piso da margem de tolerância.