A nove dias da eleição, o presidente Lula anunciou o Desenrola 3.0, medida provisória para o governo comprar até R$ 150 bilhões em dívidas familiares antigas com deságio de 90%. A ação custará R$ 15 bilhões, divididos entre os Orçamentos de 2027 e 2028, exigindo ajustes no PLOA. O programa, que inicia operações em novembro com contratos assinados a partir de janeiro, foi divulgado junto à proibição das bets online e é apontado como estratégia eleitoral, embora seus efeitos ocorram após o pleito.
SÃO PAULO E BRASÍLIA - Após anunciar a proibição das bets no País, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta sexta-feira, 25, em São Paulo, anunciou uma nova fase do programa Desenrola, de renegociação de dívidas. Chamado de Desenrola 3.0 e lançado às vésperas das eleições, a proposta prevê a compra de dívidas antigas das famílias pelo governo com desconto.
A medida faz parte de um pacote de bondades de Lula lançado nove dias antes do primeiro turno, como forma de tentar garantir a reeleição. Além do novo Desenrola 3.0, o presidente assinou uma medida provisória que proíbe o funcionamento de bets online no Brasil
A medida mira dívidas mais antigas, de dois a quatro anos e meio em atraso. Segundo o governo, há R$ 300 bilhões em débitos nessa modalidade e a medida deve alcançar cerca de metade - ou seja, R$ 150 bilhões. Como o governo pretende comprar essas dívidas das instituições financeiras com um deságio de pelo menos 90%, o custo da medida será em torno de R$ 15 bilhões.
No evento em São Paulo, o presidente Lula declarou que o Desenrola 3.0, lançado como medida provisória, é melhor que as duas versões anteriores do programa.
"É um Desenrola melhor que os outros. É importante notar isso porque nos outros as pessoas tinham que, individualmente, comprar um banco. Agora, é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas", declarou Lula.
O governo estima que o programa terá um impacto primário de R$ 15 bilhões, mas com cerca de R$ 7 bilhões recaindo sobre o Orçamento de 2027 e R$ 8 bilhões sobre o de 2028. O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) do ano que vem, já encaminhado pelo governo ao Congresso, terá de ser ajustado para incorporar mais um gasto.
O Desenrola 3.0 começará a operar em novembro, com homologação em dezembro e assinatura de contratos em janeiro. Os efeitos, portanto, não ocorrerão durante as eleições presidenciais.