Vale transforma, pela 1ª vez, área de mina em território de lazer e cultura em MG

25 set 2026 - 18h06
Resumo
A Vale converteu a antiga Mina de Águas Claras, em Nova Lima (MG), no seu primeiro projeto de fechamento com transição para preservação ambiental, esporte, cultura e lazer. Com mais de 1.900 hectares vizinhos à Serra do Curral, o território terá 93% de sua extensão voltada à conservação da biodiversidade. A iniciativa, que abre espaço para turismo e desenvolvimento urbano, é construída com participação popular e servirá de base para futuras transições em minas como Córrego do Meio e Carajás.

A mineradora Vale transformou ‌a antiga Mina de Águas Claras (MAC), em Nova Lima (MG), em um território voltado à conservação ambiental, esporte, cultura e lazer, marcando o primeiro processo de fechamento de uma mina da companhia com transição gradual para novos usos.

A área, com mais de 1.900 hectares e localizada na divisa com Belo Horizonte e vizinha à Serra ⁠do Curral, terá cerca de 93% de sua extensão destinada à preservação da biodiversidade, ‌incluindo nascentes, cursos d'água, vegetação nativa e fauna local, disse à Reuters a diretora de Gestão de Territórios Sul/Sudeste e Reparação da Vale, Gleuza Jesué.

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Para o futuro, ‌a Vale já estuda projetos de uso futuro ‌para a mina Córrego do Meio, em Sabará (MG), já paralisada, e outras ⁠em Itabira (MG), que têm atualmente previsão para exaustão em décadas. Também há estudos para Carajás (PA), onde a empresa conta com seu maior complexo de mineração, em área da floresta amazônica.

O projeto da MAC prevê a abertura gradual do espaço à população, combinando recuperação ambiental, segurança e novos usos de interesse público e busca preservar áreas ‌ambientais relevantes da Serra do Curral e da Mata do Jambreiro, afirmou a executiva. 

"Quando a ‌gente fala em fechamento, nós ⁠não estamos falando ⁠em encerramento de uma atividade produtiva. Mas nós estamos tratando aí como uma transição territorial para ⁠uma nova oportunidade, para uma nova fase", ‌disse Jesué, em uma entrevista por ‌videoconferência.

A Mina de Águas Claras produziu 290 milhões de toneladas de minério de ferro entre 1972 e 2002. Desde que assumiu a gestão da área após adquirir a MBR, em 2006, a Vale conduz ações de recuperação ambiental ⁠e fechamento da unidade, segundo a executiva. 

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A executiva destacou ainda que os novos usos consideram atividades econômicas relacionadas a turismo, conservação, desenvolvimento urbano e outras que podem se instalar ali e se desdobrarem.

Entre as iniciativas já implementadas está a ampliação da trilha que conecta a área ao ‌Parque da Serra do Curral, segundo a diretora.

A Vale também cedeu, por meio de acordos de comodato, quase 108 mil metros quadrados de áreas verdes incorporadas ao ⁠Parque da Serra do Curral.

Jesué afirmou que tem sido feito um trabalho constante de ouvir a sociedade sobre os próximos usos da mina. 

"É impossível nós decidirmos sozinhos o que será ofertado à sociedade. As pessoas se sentem incluídas a partir do momento em que elas participam de um processo como esse. E como elas serão as usuárias, elas que precisam nos dizer o que de mais importante gostariam ali", afirmou.

Segundo ela, a empresa realizou pesquisas, oficinas e reuniões públicas para discutir o futuro da área, envolvendo mais de 22 mil pessoas. Em julho, a mina já recebeu uma etapa do circuito XTERRA Brasil, reunindo mais de 3.500 atletas, e a companhia desenvolve ainda um projeto para implantação de um parque voltado ao ciclismo.

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