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Japão gastou valor recorde de US$96,5 bilhões para sustentar iene no último mês

28 ago 2026 - 09h28
Resumo
O Japão gastou um recorde de US$ 96,5 bilhões em intervenções cambiais no último mês para conter a queda do iene, que atingiu o menor nível em 40 anos e elevou os custos de importação. A ação teve apoio dos Estados Unidos e alinhamento com a Coreia do Sul. Embora tenha valorizado temporariamente a moeda, a disparidade das taxas de juros locais em relação ao mercado global ainda pressiona o iene, aumentando a expectativa de elevação dos juros pelo Banco do Japão em setembro.

As autoridades japonesas gastaram um valor ‌recorde de 15,4 trilhões de ienes (US$96,5 bilhões) em intervenções nos mercados cambiais no último mês para apoiar a moeda local, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério das Finanças.

A magnitude da intervenção demonstra o nível de determinação de Tóquio em tirar o iene dos níveis mais baixos em quatro décadas, já que a desvalorização da moeda ameaça os lucros ⁠das principais empresas exportadoras japonesas e eleva os custos de importação, inclusive de energia.

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O Japão ‌importa quase toda a sua energia, sendo que 95% dela vem do Oriente Médio, o que o expõe a interrupções no abastecimento causadas pela guerra no Irã.

No entanto, ‌o ritmo relativamente lento do aperto monetário do Banco ‌do Japão tem mantido as taxas de juros do país baixas em comparação ⁠com mercados como o dos Estados Unidos, incentivando os investidores a continuar financiando transações globais com o iene barato.

O Banco do Japão manteve os juros inalterados em sua última reunião, em julho, embora os formuladores de política monetária tenham sinalizado disposição para acelerar o ritmo do aperto monetário, e os mercados atribuam 65% de probabilidade a um aumento ‌na próxima reunião, em setembro.

Os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Ministério das Finanças apresentam o ‌total para o período de ⁠30 de julho a ⁠26 de agosto. Um detalhamento diário não estará disponível até que os números trimestrais sejam divulgados, ⁠provavelmente no início de novembro.

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O Banco do Japão ‌entrou no mercado para comprar ‌ienes nos dias 30 e 31 de julho — incluindo uma rara ação conjunta com os EUA —, enquanto a moeda japonesa atingia seus níveis mais baixos em 40 anos, perto de 164 por dólar. O Banco da Coreia também sincronizou sua ⁠própria intervenção de compra de wons com a do Japão para ampliar a eficácia, afirmaram autoridades sul-coreanas na época.

Dados do Banco do Japão divulgados no início deste mês sugerem que a intervenção de 30 de julho pode ter chegado a 9,6 trilhões de ienes, o que superaria em muito o ‌atual recorde diário confirmado de 6,3 trilhões de ienes, registrado em 30 de abril deste ano.

O iene disparou de cerca de 163 por dólar inicialmente para uma cotação de ⁠até 155,20 em 3 de agosto, antes de se estabilizar em torno de 159,50, nível em que permanece desde 10 de agosto.

Para convencer os mercados de que o Japão continua capaz de realizar intervenções em grande escala, Washington afirmou que Tóquio poderia utilizar um mecanismo de apoio do Federal Reserve, criado na era da Covid-19 para os principais bancos centrais.

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O mecanismo do Fed, introduzido em 2020 para estabilizar os mercados durante a pandemia, permite que o Japão aumente a liquidez em dólares sem precisar vender diretamente títulos do Tesouro dos EUA.

O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou no início deste mês que Washington fará "o que for necessário" para apoiar os esforços de Tóquio para estabilizar o iene, acrescentando que sua subvalorização substancial poderia desencadear outros problemas econômicos ou desvalorizações competitivas de outras moedas.

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