O Japão enfrenta riscos de baixo crescimento e inflação elevada se um conflito prolongado no Oriente Médio mantiver os preços do petróleo elevados e afetar a economia dependente de importações, dizem analistas, complicando os esforços do banco central para elevar a taxa de juros ainda baixas.
O vice-presidente do Banco do Japão, Ryozo Himino, disse nesta segunda-feira que o banco central continuará aumentando a taxa de juros, mas não deu sinais claros sobre quando ocorrerá o próximo aumento.
"Mesmo que a volatilidade do mercado seja alta ou haja incerteza, precisamos decidir o que é necessário", disse Himino em coletiva de imprensa, minimizando a visão de que a turbulência do mercado por si só seria motivo suficiente para adiar o aumento dos juros.
Os preços do petróleo chegaram a subir 13% nesta segunda-feira com Irã e Israel intensificando os ataques no Oriente Médio e interrompendo os embarques da importante região produtora. Isso marca um golpe para o Japão, que importa mais de 90% de seu petróleo bruto do Oriente Médio.
O iene enfraqueceu 0,6%, para 156,95 por dólar, aproximando-se da linha psicologicamente importante de 160, em um movimento que pode aumentar a pressão inflacionária ao elevar os custos de importação.
A primeira-ministra, Sanae Takaichi, disse a repórteres no sábado que instruiu seu gabinete a produzir estimativas sobre o impacto econômico potencial dos ataques do fim de semana ao Irã.
Dada a dependência do Japão das importações de petróleo, o grau de dano à sua economia dependerá se o conflito levará a uma interrupção prolongada nos embarques do Oriente Médio.
Empresas de transporte marítimo japonesas disseram no domingo que estavam suspendendo as operações no Estreito de Ormuz depois que os Estados Unidos e Israel lançaram ataques militares contra o Irã.
Embora o Japão tenha reservas de petróleo para três meses, um aumento nos preços do petróleo bruto ou um bloqueio do estreito poderia prejudicar o consumo já fraco, elevando os preços de uma série de bens e serviços.
"Esperamos tomar as medidas necessárias de forma flexível para minimizar o impacto sobre a vida das pessoas e a atividade econômica", disse Takaichi ao Parlamento quando questionada sobre a resposta do governo.
PERSPECTIVAS
A combinação de demanda fraca e inflação crescente pode colocar o Banco do Japão em modo de espera, potencialmente adiando o próximo aumento de juros, que os mercados apostavam que poderia ocorrer já em abril antes da crise do fim de semana, dizem analistas.
O Morgan Stanley MUFG Securities estima que um aumento de 10% nos preços do petróleo reduziria em cerca de 0,1% o Produto Interno Bruto (PIB) real do Japão.
"Um aumento acentuado nos preços do petróleo representará riscos de estagflação no curto prazo, enquanto a inflação subjacente provavelmente desacelerará no longo prazo", disse Takeshi Yamaguchi, economista-chefe do Morgan Stanley MUFG Securities para o Japão.
"O Banco do Japão provavelmente adotará uma postura mais cautelosa, reduzindo ainda mais a probabilidade de um aumento dos juros no curto prazo", disse ele.
Alguns analistas, no entanto, ainda veem a possibilidade de um aumento dos juros em abril, já que a alta dos preços do petróleo induzida pelo conflito viria após quase quatro anos de inflação acima da meta devido aos custos persistentemente altos dos alimentos e aos ganhos salariais estáveis.
"Com as expectativas de inflação já em torno de 2% e a economia quase em pleno emprego, o aumento dos custos das matérias-primas poderia levar mais empresas a repassar os preços. Isso, por sua vez, poderia elevar as expectativas de inflação das famílias e das empresas acima de 2%", disse Ryutaro Kono, economista-chefe do BNP Paribas para o Japão.
"Dado esse cenário econômico e de preços, não acho que o Banco do Japão optará por adiar facilmente um aumento dos juros", disse ele.
O Banco do Japão se reunirá para debater política monetária nos dias 18 e 19 de março, seguida por outra nos dias 27 e 28 de abril.
A economia do Japão cresceu 0,2% em termos anualizados no último trimestre do ano passado, com o aumento do custo de vida pesando sobre o consumo.
Analistas esperam que o crescimento acelere, à medida que a moderação da inflação dos alimentos e os subsídios aos combustíveis aliviem o impacto sobre as famílias, levando os salários reais a território positivo.