IPCA-15 sobe menos que o esperado em abril mesmo com pressão de alimentos e combustíveis

28 abr 2026 - 09h07
(atualizado às 10h23)

A inflação no Brasil seguiu sob pressão dos ‌preços de alimentos e combustíveis em abril, mas a alta do IPCA-15 acelerou menos do que o esperado no mês, em dado divulgado às vésperas da reunião de política monetária do Banco Central.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) teve em abril alta de 0,89%, depois de subir 0,44% em março, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a taxa mensal mais elevada ⁠desde fevereiro de 2025 (1,23%).

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Com o resultado do mês, o índice passa a acumular em 12 meses avanço de ‌4,37%, de 3,90% em março. A meta contínua para a inflação é de 3,0% medido pelo IPCA, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

Os dados ficaram abaixo das ‌expectativas em pesquisa da Reuters de altas de 1,0% na base ‌mensal e de 4,49% em 12 meses.

O Banco Central decide sobre a política monetária na ⁠quarta-feira, com a guerra no Oriente Médio pairando sobre o cenário. Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual em março, a 14,75%, o BC defendeu cautela diante do aumento da incerteza com o conflito.

A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã vem provocando preocupações sobre a inflação diante das altas nos preços globais do petróleo devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, ainda ‌sem perspectiva de resolução.

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"Seguimos avaliando que ainda há espaço para a continuidade do ciclo de cortes, uma vez ‌que o aperto monetário implementado nos ⁠últimos anos já vem ⁠produzindo efeitos sobre a atividade econômica e proporcionou à autoridade monetária uma margem de segurança ... mas entendemos que o Banco ⁠Central deverá avançar de forma cautelosa, gradual e dependente ‌dos dados", disse Gustavo Sung, economista-chefe ‌da Suno Research, prevendo corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta semana.

Em abril, o maior impacto no IPCA-15 foi exercido pela alta de 1,46% do grupo Alimentação e Bebidas, após avanço de 0,88% em março.

O resultado foi influenciado principalmente pelo avanço de 1,77% da alimentação no domicílio, ⁠com destaque para os aumentos dos preços de cenoura (25,43%), da cebola (16,54%), do leite longa vida (16,33%), do tomate (13,76%) e das carnes (1,14%).

Já os custos de Transportes avançaram 1,34% em abril, após alta de 0,21% em março, com os preços dos combustíveis passando a subir 6,06%, após recuo de 0,03% no mês anterior. A gasolina subiu 6,23%, após queda de 0,08% em março.

O ‌subitem passagem aérea, por sua vez, desacelerou de uma alta de 5,94% em março para queda de 14,32% em abril.

"A principal surpresa baixista concentrou-se em passagens aéreas. A tendência, contudo, é de reversão ⁠parcial desse movimento nos próximos meses, diante do avanço da guerra e de seus impactos sobre o querosene de aviação", disse Mariana Rodrigues, economista da SulAmérica Investimentos.

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Diante da guerra entre Estados Unidos e Irã, o governo anunciou na semana passada que propôs ao Congresso Nacional um projeto de lei complementar que permitirá transformar ganhos extraordinários de arrecadação provenientes da alta do preço do petróleo em cortes de tributos sobre combustíveis.

Matheus Pizzani, economista do PicPay, destacou que a inflação de serviços registrou forte arrefecimento saindo de uma alta de 0,49% em março para 0,03% em abril, em suas contas.

A mais recente pesquisa Focus realizada pelo BC mostra que a projeção para o IPCA este ano é de alta de 4,86% em 2026 e de 4,00% em 2027. A expectativa é de que a Selic termine 2026 a 13,0%.

O IPCA-15 estima a variação de preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês de referência na comparação com o período imediatamente antecedente.

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(Edição de Isabel Versiani)

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