O Ibovespa disparou 3,05% nesta quarta-feira, atingindo 185.205 pontos no 11º pregão consecutivo de alta, impulsionado pelo fluxo de capital estrangeiro e pelo cenário eleitoral, após pesquisa indicar empate técnico na disputa presidencial. O volume financeiro superou a média diária ao somar R$ 40,86 bilhões. Entre os destaques corporativos, Magazine Luiza e Azzas 2154 registraram fortes valorizações após anúncios de parceria comercial e reorganização societária, respectivamente.
O Ibovespa disparou 3% nesta quarta-feira, flertando com os 186 mil pontos no melhor momento, endossado por fluxo estrangeiro e expectativas relacionadas à disputa presidencial no país, enquanto o noticiário corporativo teve como destaque reestruturação societária da Azzas 2154, que fez a ação da empresa disparar.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,05%, a 185.205,09 pontos, maior alta percentual em um dia desde março. Foi a 11ª sessão seguida com fechamento positivo. Na máxima do dia, chegou a 186.028,06 pontos -- patamar que não superava desde o começo de maio. Na mínima, registrou 179.733,57 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$40,86 bilhões, acima da média diária no ano de cerca de R$32 bilhões.
"Fluxo estrangeiro na compra", resumiu o superintendente da Necton/BTG Pactual, Marco Tulli Siqueira, citando também efeito do quadro eleitoral. Após forte saída de capital externo da bolsa nas primeiras semanas de agosto, os estrangeiros retornaram para as ações brasileiras nos últimos pregões do mês, reduzindo o saldo negativo no mês passado, o que trouxe algum alento.
Estrategistas do JPMorgan afirmaram em relatório nesta quarta-feira que o mercado brasileiro parece barato, com exceção quando comparado à sua média dos últimos cinco anos.
Na visão do analista João Daronco, da Suno Research, o cenário eleitoral tem ocupado cada vez mais as atenções, e notícias que alimentem a perspectiva de mudança em Brasília acabam dando fôlego às ações brasileiras. "O mercado, de alguma maneira, tenta antecipar esse movimento", afirmou.
Pesquisa Quaest divulgada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira mostrou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um potencial segundo turno da eleição presidencial de outubro, mas a vantagem numérica do petista diminuiu.
De acordo com o economista Marcos Bassani, sócio-fundador da Boa Brasil Capital, o mercado não gosta de incerteza fiscal e uma parcela importante dos investidores enxerga uma eventual troca de governo como um possível sinal de uma política econômica mais ortodoxa, o que explica o movimento mais positivo na bolsa quando uma pesquisa mostra Lula perdendo um pouco de força na pesquisa.
Daronco, da Suno, também afirmou que agentes financeiros estão monitorando o noticiário envolvendo juízes do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master que está preso, buscando entender como isso pode afetar a percepção sobre os candidatos.
O presidente do STF, Edson Fachin, afirmou em nota nesta quarta-feira que o cargo de ministro da corte impõe deveres, não privilégios. Sem mencionar diretamente o envolvimento de ministros com Vorcaro, ele afirmou que nos próximos dias, anunciará "medidas cabíveis e necessárias", após analisar os fatos.
DESTAQUES
• VALE ON avançou 3,19%, mesmo com o recuo dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 1,11%.
• ITAÚ UNIBANCO PN subiu 3,84%, BRADESCO PN valorizou-se 2,1%, BANCO DO BRASIL ON saltou 5,52%, SANTANDER BRASIL UNIT ganhou 1,98% e BTG PACTUAL UNIT fechou com elevação de 3,06%. O Banco Central também informou nesta quarta-feira que medidas em preparação em resposta à elevada participação das modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias visam garantir o reconhecimento tempestivo dos riscos.
• PETROBRAS PN avançou 2,84% e PETROBRAS ON subiu 2,23%, com o petróleo retomando o fôlego. O barril sob o contrato Brent fechou negociado com acréscimo de 1,04%, a US$95,63.
• AZZAS 2154 ON disparou 11,28% após os acionistas Alexandre Birman e Roberto Jatahy firmarem acordo para uma reorganização societária do grupo que prevê a divisão dos negócios em duas companhias abertas independentes -- Arezzo&Co e SOMA -- e uma estrutura própria para a FARM Rio. Na visão de analistas do Santander, a separação proposta permitirá que ambas as empresas se concentrem e executem suas estratégias de forma independente, reduzindo significativamente os riscos de governança gerados pelo conflito entre os grupos controladores.
• MAGAZINE LUIZA ON saltou 16,88%, tendo também como pano de fundo parceria comercial com o Mercado Livre para vender seus produtos por meio da plataforma de comércio eletrônico. O grupo oferecerá por volta de 27 mil itens de estoque próprio das marcas Magazine Luiza, KaBuM! e Época Cosméticos. À primeira vista, o Citi considerou a parceria positiva para as duas empresas. "No entanto, ainda precisamos de maior visibilidade sobre aspectos econômicos da operação, incluindo comissões, mix de produtos, logística e eventual sobreposição de canais de venda, para avaliar com mais precisão seus impactos", afirmou em nota a clientes. Em Nova York, MERCADO LIVRE subiu 2,19%.
• B3 ON subiu 3,85%, com investidores também repercutindo decisões da Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) na véspera que cancelaram em definitivo autuações da Receita Federal contra a empresa relacionadas a vendas de ações do CME Group em 2025 e 2016, da ordem de R$2,2 bilhões. Na terça-feira, as ações fecharam em alta de quase 2,5%. O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) também aprovou nesta quarta-feira o acordo de compra de participação de 60% na Central de Registro de Direitos Creditórios (CRDC) pela B3, sob condições.
• MOTIVA ON avançou 3,06%. A companhia de concessões de infraestrutura de transporte informou na véspera que concluiu a venda de suas 20 operações de aeroportos para o grupo mexicano Asur, com entrada no caixa de R$5,187 bilhões. O conselho de administração do grupo também aprovou o pagamento de juros sobre o capital próprio de R$1,45 bilhão.