O Ibovespa recuou 0,6%, atingindo a faixa dos 182 mil pontos, pressionado pela volatilidade das pesquisas eleitorais para a presidência, que indicam disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. O cenário negativo foi reforçado pela alta nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e pelas tensões geopolíticas que elevaram o petróleo. Enquanto Petrobras subiu acompanhando a commodity, os setores bancário, siderúrgico e varejista puxaram o índice para baixo em meio a cautelas políticas e fiscais.
O Ibovespa recuava nesta segunda-feira, chegando a trabalhar abaixo dos 182 mil pontos no pior momento, com investidores repercutindo novas pesquisas eleitorais no Brasil em mais uma sessão com avanço nos rendimentos dos Treasuries.
Por volta de 10h55, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,6%, a 182.341,08 pontos. Na mínima até o momento, marcou 181.933,49 pontos. O volume financeiro somava R$3,88 bilhões.
Antes da abertura, pesquisa BTG/Nexus mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 42% e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com 37% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de domingo. Em um potencial segundo turno entre ambos, Lula tem 46% e Flávio registra 44%, ainda dentro da margem de empate técnico. O Nexus ouviu 2.000 pessoas entre os dias 25 e 27 de setembro.
Na sequência, com o pregão já aberto, pesquisa Quaest divulgada pela GloboNews mostrou Lula e Flávio empatados com 42% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula lidera o primeiro turno com 39% e Flávio soma 34%. A Quaest ouviu 2.004 pessoas entre os dias 24 e 27 de setembro.
"Faltando menos de uma semana para o primeiro turno das eleições, o padrão de volatilidade seguirá acentuado no mercado brasileiro nos próximos pregões", afirmaram analistas do BB Investimentos em relatório a clientes.
Investidores ainda repercutiam nesta segunda-feira anúncios realizados pelo governo Lula na última sexta-feira, incluindo a proibição das operações de apostas online no país e o Desenrola Brasil 3.0, um novo programa para ajudar pessoas endividadas.
No exterior, os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro norte-americano avançavam a 5,221%, de 5,181% na sexta-feira, tendo de pano de fundo novo avanço dos preços do petróleo, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitar uma proposta de paz do Irã para resolver o conflito entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz. Em Nova York, o S&P 500 cedia 0,41%.
Para o analista Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, a combinação de petróleo elevado, juros globais pressionados e incerteza política tende a manter os investidores cautelosos na semana.
DESTAQUES
• PETROBRAS PN subia 1,21% e PETROBRAS ON avançava 1,49%, acompanhando o movimento do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent mostrava elevação de 2,25%, a US$106,67, com o impasse nas negociações entre EUA e Irã.
• ITÁU UNIBANCO PN caía 1,02%, seguindo o viés mais negativo na bolsa como um todo, com investidores também avaliando o impacto do Desenrola Brasil 3.0 no setor. BRADESCO PN recuava 1,34%, BANCO DO BRASIL ON cedia 0,19% e SANTANDER BRASIL UNIT perdia 0,57%. NU, que é listada em Nova York, caía 8,09%, tendo ainda no radar notícia de que a instituição está em conversas preliminares para adquirir um banco digital britânico.
• VALE ON recuava 0,45%, em linha com o declínio dos futuros do minério de ferro na China. No setor, CSN ON era o destaque negativo, com queda de 3,19%.
• AZZAS 2154 ON perdia 4,46%, devolvendo parte da alta de quase 13% na sexta-feira. Investidores seguem especulando sobre potenciais reflexos da reorganização societária anunciada no começo do mês, bem como de eventual transação que envolva a unidade FARM Rio.
• ULTRAPAR ON avançava 1,18%, em pregão de recuperação, após duas quedas seguidas, quando acumulou declínio de 6,4%.