Ibovespa fecha em queda com ações de construtoras na ponta negativa

27 abr 2026 - 17h08
(atualizado às 17h31)

O Ibovespa fechou em queda pelo quarto pregão seguido nesta quarta-feira, com ações ‌de construtoras na ponta negativa em meio a receios sobre os reflexos no setor do potencial uso de recursos do FGTS por trabalhadores para abater dívidas, enquanto os papéis do Assaí figuraram entre as maiores altas antes da divulgação do balanço.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,61%, a 189.578,79 pontos, mínima do dia. Na máxima, marcou 191.339,93 pontos. O volume financeiro somou R$20,64 bilhões, de uma média de R$39,5 bilhões no mês.

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A bolsa paulista continua mostrando saída líquida de recursos estrangeiros nos últimos pregões. O saldo em abril segue positivo, em R$10,1 bilhões até o dia 23, mas ⁠até o dia 15 havia uma entrada líquida de R$14,6 bilhões. Tal capital foi responsável pelos últimos recordes do Ibovespa, que se aproximou da marca inédita ‌de 200 mil em meados do mês.

Para a equipe da XP Investimentos, a combinação de um micro mais forte nos Estados Unidos com um rali de alívio nas bolsas globais, em meio ao arrefecimento das tensões no Oriente Médio, parece estar reduzindo a intensidade dos fortes fluxos estrangeiros.

Nesta segunda-feira, em Wall ‌Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,12%, com a ‌temporada de balanços corporativos também em foco.

Ainda no exterior, os preços do petróleo voltaram a subir, com o barril sob o contrato Brent ⁠fechando o dia em alta de 2,75%, a US$108,23, diante da estagnação nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que mantém o Estreito de Ormuz ainda praticamente fechado.

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Tal cenário reforça preocupações com a inflação no Brasil e seus reflexos na política monetária do Banco Central, que anuncia nesta semana decisão sobre a Selic, atualmente em 14,75% ao ano.

A pesquisa Focus divulgada nesta segunda-feira mostrou nova deterioração nas previsões de inflação para 2026. Não houve, contudo, mudança na estimativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na quarta-feira.

O Federal Reserve também anuncia no próximo dia 29 sua decisão de ‌política monetária e a previsão para os EUA é de manutenção da taxa de juros de referência na faixa de 3,50% a 3,75%, com os preços de ‌energia também despertando preocupações.

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DESTAQUES

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• CURY ON caiu 7,76%, em ⁠pregão de forte queda de ações ⁠de construtoras, com a notícia de que o programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo, entre outras medidas, permitirá que trabalhadores usem parte do saldo do ⁠FGTS para quitar dívidas. O FGTS é uma importante fonte de financiamento do setor imobiliário, cujo ‌índice na B3, que também inclui empresas de ‌shopping centers, recuou 3,61%.

• ASSAÍ ON valorizou-se 1,7% antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre após o fechamento do mercado. Analistas do JPMorgan também elevaram a recomendação das ações do grupo para neutra ante "underweight", bem como o preço-alvo de R$9,50 para R$11. No setor, GPA ON caiu 2,5% e GRUPO MATEUS ON, que não faz parte do Ibovespa, recuou 6,19%.

• MOTIVA ON perdeu 2,43%, tendo também no radar a intenção do ⁠Grupo Mover de vender a totalidade das ações que detém da companhia, representativas de 14,86% do capital social, após oferta vinculante recebida do Bradesco BBI.

• USIMINAS PNA subiu 6,96%, ainda sob efeito da repercussão do resultado do primeiro trimestre e declarações de executivos da siderúrgica de sexta-feira, quando os papéis fecharam em alta de 5,55%. Analistas do UBS BB também reiteraram a recomendação de compra para as ações e elevaram o preço-alvo de R$9 para R$10. No setor, CSN ON cedeu 0,47% e GERDAU PN, que também reporta resultado trimestral ‌após o fechamento, perdeu 0,51%.

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• HAPVIDA ON fechou em queda de 6,67%, em pregão de ajustes, após quatro altas seguidas, período em que acumulou uma valorização de mais de 15%. No final da sexta-feira, a companhia divulgou que seus acionistas controladores, que vinham aumentando a fatia na empresa, reduziram a ⁠participação para 52,47%  -- ou 55,51% quando excluídas as ações em tesouraria.

• VALE ON recuou 0,43%, tendo como pano de fundo a estabilidade dos futuros do minério de ferro na China, com o movimento de reposição de estoques antes do feriado entre as siderúrgicas da China compensando embarques maiores vindos da Austrália e as margens fracas do aço.

• ITAÚ UNIBANCO PN caiu 0,86%, em dia de noticiário intenso para o setor, incluindo dados de crédito no país em março e medida envolvendo o empréstimo consignado. Após reunião com os CEOs dos maiores bancos privados do país, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, ainda disse que o programa de renegociação de dívidas em elaboração pelo governo vai viabilizar descontos de até 90% sobre os débitos, com foco em pendências de cartão de crédito, cheque especial e empréstimos sem garantia.

• PETROBRAS PN avançou 0,45% e PETROBRAS ON subiu 0,34%, em meio à alta dos preços do petróleo no exterior. PRIO ON fechou com ganho de 2,75%, mas PETRORECONCAVO ON encerrou com declínio de 2,75% e BRAVA ENERGIA ON cedeu 0,11%.

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• NUBANK, que tem suas ações listadas nos EUA, subiu 0,9%, após anunciar que investirá aproximadamente R$45 bilhões no Brasil em 2026. De acordo com nota do banco digital, a cifra será destinada a quatro frentes: desenvolvimento contínuo de plataformas e modelos de crédito baseados em inteligência artificial; lançamento de produtos e serviços; ampliação de equipe e fortalecimento da base financeira.

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