Grupo Pão de Açúcar pede recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de cerca de R$ 4,5 bi

Segundo o CEO Alexandre Santoro, medida é o início de um processo de reestruturação; empresa continua operando normalmente

10 mar 2026 - 09h06
(atualizado às 10h03)
Com protocolo do pedido, empresa terá 90 dias para avançar nas negociações com os credores
Com protocolo do pedido, empresa terá 90 dias para avançar nas negociações com os credores
Foto: Divulgação/GPA / Estadão

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas não operacionais. O presidente da companhia, Alexandre Santoro, disse em entrevista ao Estadão/Broadcast que a medida conta com adesão de 46% dos credores.

Segundo o fato relevante divulgado nesta terça-feira, 10, o plano abrange obrigações financeiras "sem garantia" que não constituem compromissos correntes ou operacionais da companhia.

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Com apenas dois meses de casa, o CEO afirmou que o objetivo é reorganizar o perfil de endividamento da companhia sem afetar a operação do negócio. "Essa medida é o início de um processo de reestruturação das nossas dívidas não operacionais. Ela não envolve pagamento a fornecedor, aluguel de loja ou salário de colaborador. A operação segue funcionando normalmente", disse.

O executivo acrescentou que a decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração, que reúne acionistas que representam cerca de 70% das ações da companhia. "Apesar do curto tempo que estou na companhia, essa agenda está alinhada à minha experiência e ao mandato de ajudar os acionistas a resolver alguns problemas estruturais", afirmou.

O diretor financeiro do GPA, Pedro Albuquerque, que assumiu o cargo na semana passada, afirmou que parte do passivo inclui vencimentos de curto prazo. Segundo ele, cerca de R$ 500 milhões vencem em maio, enquanto entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,3 bilhão têm vencimento previsto para julho.

Albuquerque ressaltou que o processo não inclui passivos trabalhistas ou tributários. Segundo ele, essas obrigações seguem sendo tratadas separadamente pela companhia e não fazem parte do perímetro da recuperação extrajudicial. O executivo também afirmou que a medida não tem relação com discussões antigas envolvendo a operação do Assaí.

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Com o protocolo do pedido, a empresa terá um período de 90 dias para avançar nas negociações com os credores, durante o qual as obrigações com os credores afetados ficam suspensas.

"Temos esse prazo para concluir a negociação e chegar às condições definitivas da reestruturação", disse o CFO. Para a homologação do acordo, é necessário o apoio de 50% mais um dos credores.

No último balanço, o GPA divulgou que a dívida líquida, incluindo recebíveis de cartão de crédito não antecipados, somou R$ 2 bilhões ao final de 2025, aumento de R$ 729 milhões em relação ao registrado no fim de 2024.

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